A convenção estadual do Republicanos em Minas Gerais, realizada neste sábado (25) na Assembleia Legislativa, terminou sem o principal nome que o partido esperava anunciar: o senador Cleitinho Azevedo, apontado como pré-candidato ao Governo de Minas e líder isolado nas pesquisas de intenção de voto, não compareceu ao evento.

Sem ele, os convencionais homologaram apenas as candidaturas proporcionais — deputado federal e estadual — e delegaram ao diretório estadual a definição da chapa majoritária: governador, vice-governador, senadores, suplentes e coligações. Na prática, o partido transferiu para os próximos dias uma decisão que vinha sendo tratada como iminente desde que a convenção foi antecipada justamente para forçar uma resposta do senador.

O presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, resumiu o adiamento ao dizer que a sigla tem até 5 de agosto — data limite legal para as convenções partidárias — e que vai sentar com o diretório e ouvir o pré-candidato antes de bater o martelo. A ausência de Cleitinho tem uma razão pessoal: o senador atravessa período de luto pela morte do irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo, de 30 anos, em decorrência de complicações de leucemia. A família foi representada no evento por Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis e pré-candidato a deputado federal.

A indefinição como estratégia

Cleitinho já vinha sinalizando que só se pronunciaria no último dia do calendário de convenções, e a convenção deste sábado não mudou esse roteiro. O senador tem repetido que lidera as pesquisas em Minas e que caberá ao eleitor decidir — discurso que sustenta a espera enquanto os demais partidos precisam fechar suas chapas.

A liderança que ele exibe nos levantamentos é o que dá peso à indefinição. Pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada em maio, com 1.600 entrevistados e margem de erro de 2 pontos percentuais, mostrou o senador entre 35% e 41% das intenções de voto no primeiro turno, conforme o cenário testado, à frente de Alexandre Kalil (PDT), com 14% a 24%, e do governador Mateus Simões (PSD), entre 11% e 19%. Em simulações de segundo turno, o senador venceu todos os adversários testados, com vantagens de 17 a 22 pontos. Como toda pesquisa eleitoral, o levantamento é um retrato do momento em que foi a campo e não projeta resultado.

Simões assumiu o Palácio Tiradentes em março, após a renúncia de Romeu Zema, e é o nome da base governista para a reeleição. Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, aparece como principal referência do campo oposto ao centro-direita governista.

Efeito dominó sobre os outros partidos

O silêncio do senador não trava só o Republicanos. Dentro da própria sigla, o cenário desenhado era o de uma chapa pura encabeçada por Cleitinho e tendo como vice Luis Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas, que vinha afirmando publicamente que a confirmação sairia na convenção. Se o senador declinar, os nomes ventilados internamente como alternativa incluem o próprio Falcão e o deputado Marcelo Aro (PP).

O PL, que marcou sua convenção estadual para segunda-feira (27), depende de Cleitinho para montar em Minas um palanque forte para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro — e já encaminha um plano B, com os nomes do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli e do ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe na mesa. As conversas de coligação do Republicanos com PP, União Brasil e Podemos também estão suspensas até que a chapa majoritária seja definida.

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente funciona como termômetro da disputa nacional. A eleição estadual está marcada para 4 de outubro, e o registro de candidaturas depende das convenções encerradas até 5 de agosto — data que, por ora, é a única certeza do calendário do Republicanos mineiro.