O Grupo SBF, dono das lojas Centauro e detentor da distribuição exclusiva da Nike no Brasil, aprovou nesta segunda-feira (31) um programa de recompra de até 12,9 milhões de ações, equivalente a até 10% do total em circulação na B3.

Pelo comunicado ao mercado, a empresa poderá comprar até 12.885.563 papéis ao longo de até 18 meses, com prazo final em 29 de fevereiro de 2028. As operações serão feitas a preços de mercado, com intermediação do BTG Pactual Corretora.

No comunicado, o Grupo SBF afirma que o objetivo é "gerar valor para os acionistas por meio da compra de ações SBFG3 na B3, a preços de mercado". As ações recompradas poderão ser mantidas em tesouraria, canceladas, revendidas no mercado ou usadas em planos de opções de compra para executivos da companhia.

O contraste com o balanço

O anúncio veio depois de o Grupo SBF divulgar lucro líquido ajustado de R$ 141,9 milhões no segundo trimestre, alta de 62,7% em relação a 2025. A receita líquida somou R$ 2,2 bilhões, recorde para o período, e o Ebitda ajustado avançou 48,7%, para R$ 248,9 milhões.

Mesmo com esse desempenho, a ação chegou a cair 5,48% no dia da divulgação do balanço. Segundo o InfoMoney, o papel fechou a sessão desta segunda em queda de 1,32%, cotado a R$ 8,23.

Analistas consultados pelo Investing.com projetam preço-alvo médio de R$ 17,39 para a ação, mais do que o dobro da cotação atual — uma valorização estimada de 37,46%. É nesse descompasso entre resultado operacional e preço em bolsa que a recompra costuma ser lida pelo mercado como sinal de confiança da própria empresa no negócio.

O movimento também destoa do momento do varejo em geral. Enquanto grandes redes brasileiras fecharam 1,1 mil lojas e cortaram 46 mil vagas nos últimos meses, o Grupo SBF optou por usar caixa para comprar suas próprias ações.

Já em junho, a XP Investimentos havia apontado que o Grupo SBF tinha potencial para se destacar no varejo esportivo durante a Copa do Mundo, na esteira do aumento do consumo ligado ao torneio. O resultado do segundo trimestre, coberto em parte pelo período da Copa, confirmou parte dessa avaliação.

A empresa não informou quanto pretende gastar por mês no programa nem se vai priorizar o cancelamento dos papéis ou a manutenção em tesouraria. A decisão sobre o destino final das ações recompradas cabe ao conselho de administração, dentro do prazo de 18 meses.

O que acontece agora

As compras começam a ser realizadas nos próximos pregões da B3, sempre dentro do limite de 10% das ações em circulação, e podem se estender até 29 de fevereiro de 2028, quando o programa se encerra.