O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), reagiu publicamente aos rumores de que o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) estaria costurando uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes — contra o projeto de reeleição do próprio Simões. Em entrevista publicada na terça-feira (28), o governador afirmou que não acredita na articulação e disse que, se ela se concretizar, será uma "ruptura sem precedentes" na política mineira.
"O Marcelo está incomodado porque o cenário do Senado está apertado", afirmou Simões. "Acho que ele tem tentado fazer uma construção de pressão para rearranjo. Isso não combina com o ambiente de realidade." O governador reafirmou o compromisso firmado entre os dois: "Aro é meu candidato ao Senado pelo PP, como acordado há quatro anos". E resumiu a lógica que diz ter aprendido com o avô: "Palavra não faz curva".
Simões também negou que prepare uma retaliação administrativa ao aliado transformado em adversário. Segundo o governador, não há nenhum plano de exonerar o secretário de Governo, Castellar Neto — indicado do PP que descreveu como peça central de sua gestão — nem os cerca de 500 servidores comissionados ligados a Aro. Os rumores de demissões em bloco foram classificados por ele como "conversa de maluco".
A raiz da crise: dois nomes para a mesma vaga
O racha na base governista mineira tem origem na disputa pelo Senado. Em março, o senador Carlos Viana trocou o Podemos pelo PSD em movimento orquestrado pelo próprio Simões — e Viana também quer a reeleição. Aro reagiu à filiação: "Não concordo com essa mexida, com esse movimento". Com o PL lançando Domingos Sávio, o mesmo campo político passou a ter três postulantes para as duas vagas em disputa no Senado.
O mal-estar levou Aro a deixar a Secretaria de Estado de Governo em 2 de abril, quando se desincompatibilizou para disputar a eleição. Desde então, a relação azedou: o ex-secretário recusa dividir palanque com Viana, e a Federação União Brasil-PP passou a acenar com o lançamento de Aro ao governo do estado caso o senador não retire a candidatura.
O que está em jogo para a reeleição
A eventual saída da Federação União-PP teria custo alto para Simões. O PSD do governador detém 8,24% do tempo de televisão, e a federação agregaria outros 20,75% — cerca de um quinto do tempo total de exposição da coligação. A ruptura também ameaçaria provocar a debandada de prefeitos do interior ligados ao PP e a saída de siglas menores, como Podemos e Agir. PRD, Solidariedade e a federação PSDB-Cidadania travaram a definição de apoio à espera da solução do impasse.
Simões e Aro se reuniram em 16 de julho para tratar do assunto. Na ocasião, o governador disse que o rompimento não foi cogitado pelo ex-secretário e que o acordo com o PP "segue sendo o de apoiar a minha reeleição", compromisso que atribuiu às direções nacional e estadual do partido. Nos bastidores, porém, lideranças da direita veem Aro como nome capaz de reorganizar o campo conservador em Minas.
Simões assumiu o governo em 22 de março, com a renúncia de Romeu Zema (Novo), que deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Eleito vice-governador em 2022, Simões trocou o Novo pelo PSD em outubro de 2025, já de olho na disputa pela permanência no Palácio Tiradentes.














