O PDT oficializou na manhã de domingo (26) a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil ao governo de Minas Gerais. A convenção estadual foi realizada no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte, com a presença do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, e do presidente do diretório mineiro, o deputado federal Mário Heringer.

É a segunda vez que Kalil disputa o governo mineiro. Em 2022, ele terminou em segundo lugar na eleição estadual. O slogan apresentado na convenção, "É hora de quem faz", aposta na memória das entregas dos dois mandatos dele à frente da prefeitura da capital.

O encontro, no entanto, aprovou apenas as chapas proporcionais — os candidatos a deputado estadual e a deputado federal. A chapa majoritária seguiu vazia: o partido não definiu o nome do vice-governador nem os candidatos ao Senado e respectivos suplentes, e transferiu a decisão para a executiva estadual, que tem até 4 de agosto para fechar o desenho.

Negociação de alianças em aberto

Segundo o próprio partido, as conversas para compor a chapa envolvem PSDB, União Brasil, PP e Republicanos. Questionado sobre uma eventual aproximação com o PT, Kalil evitou o confronto e afirmou estar aberto a diferentes alianças. A legenda, que apoia a reeleição de Lula no plano nacional, tem em Minas um impasse: o presidente respalda a pré-candidatura de Patrus Ananias (PT) ao governo do estado.

O tabuleiro mineiro está longe de fechado. Além de Kalil e de Patrus, o atual governador Mateus Simões (PSD) busca se viabilizar para permanecer no cargo, o professor Túlio Lopes foi lançado pelo PCB e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que aparece à frente nas pesquisas divulgadas até aqui, ainda não confirmou se entra na disputa. Kalil disse ver com otimismo qualquer reacomodação do cenário caso o senador desista de concorrer.

Contas públicas e incentivos fiscais no centro do discurso

Na fala à convenção, Kalil afirmou que "é muita responsabilidade assumir o governo de Minas" e centrou o discurso na situação financeira do estado. Ele prometeu reorganizar as contas públicas para ampliar o investimento em saúde, educação e segurança e criticou a política de renúncias fiscais adotada nos últimos anos, citando cerca de R$ 280 bilhões em incentivos concedidos em 12 anos enquanto os serviços essenciais, segundo ele, ficaram subfinanciados.

As convenções partidárias correm em todo o país até o começo de agosto, e o quadro definitivo das candidaturas em Minas só deve ficar claro depois desse prazo, quando os partidos precisam registrar as chapas na Justiça Eleitoral.