O primeiro debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, promovido pela Band no domingo (16), terminou com os microfones cortados. Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB) trocaram acusações no bloco final, e Gabriel afirmou que Kalil ameaçou lhe dar um soco.

Segundo o Metrópoles, a briga começou quando Gabriel acusou Kalil de mentir sobre a criação de uma casa de apoio na gestão dele como prefeito de Belo Horizonte.

"Eu não vou fazer uma coisa: mentir, como o Kalil, dizendo que criou a casa de apoio, sendo que ela já existia", disse Gabriel.

Kalil não confirmou nem negou a ameaça de agressão. Respondeu apenas "Tem imagem. Só checar", em referência às câmeras do debate.

O clima hostil também envolveu o atual governador, Mateus Simões (PSD), que assumiu o cargo em março após a saída de Romeu Zema e concorre à reeleição.

"Nós sabemos que o senhor joga, jogar é um direito, mas jogar com o dinheiro do mineiro?", provocou Simões a Kalil. Kalil revidou chamando Simões de "o pai da mentira".

A disputa pela dívida do estado

Passado o bate-boca, o debate colocou frente a frente as propostas dos cinco candidatos presentes para a dívida do estado. Patrus Ananias (PT) não compareceu por estar em São Paulo.

Kalil classificou o programa federal de renegociação de dívidas estaduais, o Propag, como "agressão a Minas Gerais". Disse que ele representaria um rombo de R$ 165 bilhões ao estado, somando prestações e isenções perdidas.

Simões rebateu que Minas Gerais já pagou R$ 13 bilhões da dívida e que o valor devido cabe na capacidade de pagamento do caixa estadual.

Gabriel Azevedo defendeu que "o estado não pode gastar mais do que arrecada" e propôs uma agência independente para fiscalizar o destino dos recursos.

Flávio Roscoe (PL) disse que o Propag tornaria a situação mais administrável no curto prazo, mas comprometeria investimentos estaduais depois. Cleitinho Azevedo (Republicanos) chamou o programa de "mal necessário" e defendeu negociação direta com o governo federal.

Privatização e segurança também dividem os candidatos

Gabriel Azevedo se declarou contrário à venda da Cemig e da Copasa, com receio de impacto nas tarifas de água e esgoto. Roscoe defendeu privatizar a Copasa como caminho para melhorar o saneamento.

Em segurança pública, Simões questionou Kalil sobre feminicídio. Kalil respondeu criticando o que chamou de sucateamento da polícia na gestão de Simões, citando o fechamento de 126 delegacias da mulher.

Gabriel Azevedo defendeu melhoria salarial para policiais civis e militares. Cleitinho prometeu fortalecer a Polícia Civil e ampliar o uso de inteligência artificial contra facções criminosas.