O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) não compareceu à convenção do próprio partido, realizada neste sábado (25) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e deixou o encontro terminar sem a definição mais esperada da política mineira: se ele será ou não candidato ao governo do estado. A ausência foi confirmada no local pelo irmão do senador, Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis, que teve homologada na mesma convenção a própria candidatura a deputado federal.

É a sexta vez que o anúncio fica para depois — Cleitinho já havia adiado a decisão cinco vezes e chegou a dizer que se posicionaria até 5 de agosto. O senador atravessa um período de luto: seu irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo, de 30 anos, morreu em razão de complicações de uma leucemia. A direção estadual do Republicanos afirmou que vai respeitar esse momento e que a decisão pode ficar para o limite do calendário. "Temos até 5 de agosto. Pode ser antes, mas vamos nos reunir agora com a executiva e também ouvir nosso pré-candidato, que é o Cleitinho", disse o partido após a convenção.

O calendário não espera

Pela legislação eleitoral, as convenções partidárias podem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, e o pedido de registro das candidaturas precisa ser entregue à Justiça Eleitoral até 15 de agosto, véspera do início oficial da campanha. Ou seja: o que hoje é indefinição pessoal do senador virá a ser, em pouco mais de uma semana, um problema de prazo para vários partidos ao mesmo tempo.

O caso mais direto é o do PL. A sigla adiou a própria convenção estadual justamente para ampliar as negociações com Cleitinho, e integrantes da executiva mineira apontam que ele lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo do estado. Sem ele, os nomes que aparecem como alternativa são o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli e o ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe. O interesse não é só estadual: Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e o PL quer um palanque competitivo no estado para sustentar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, oficializada na véspera, em São Paulo.

Um tabuleiro parado à espera de uma resposta

A disputa mineira deste ano já tem um governador na linha de largada — Mateus Simões (PSD), que assumiu depois da saída de Romeu Zema e é pré-candidato à reeleição — e tem Rodrigo Pacheco (PSB) construído como nome do campo do presidente Lula. Enquanto o senador não se pronuncia, o campo da direita mineira segue sem saber se terá um candidato único, dois nomes concorrendo entre si ou um arranjo de última hora costurado nos dias finais das convenções.

Cleitinho foi eleito senador em 2022 com a maior votação de Minas Gerais e se tornou uma das figuras de maior alcance digital do Congresso, o que explica o peso da sua decisão sobre o desenho da eleição estadual. Até a publicação desta reportagem, o senador não havia divulgado manifestação pública sobre a ausência na convenção nem novo prazo para anunciar o que pretende fazer.