Uma ocupação de terra em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, virou tema da campanha ao governo de Minas Gerais nesta segunda-feira (31). Cerca de 130 pessoas ligadas ao Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) ocuparam a Fazenda Bom Jardim no domingo (30), e o governador Mateus Simões, candidato à reeleição, descartou negociar a saída do grupo.

Simões visitou a propriedade, às margens da rodovia MGC-497, e afirmou: "Não negociamos com quem invade." A Polícia Militar cercou a área para impedir a chegada de novas pessoas e de estruturas de apoio ao grupo.

O MTL é um dos movimentos que coordenam ocupações de terra pelo país. O governador disse ainda ser contrário ao uso da força para retirar os ocupantes, entre os quais há crianças.

Alexandre Kalil (PDT), que disputa o governo contra Simões, cobrou providências em vídeo nas redes sociais:

Ô governador, deixa de ser frouxo, sô. Vai lá e resolve.

Kalil prometeu resolver a situação se for eleito e destacou a importância da agricultura para a economia de Minas.

Patrus Ananias (PT), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e também candidato ao governo, cobrou solução dentro da lei: "A propriedade deve cumprir sua função social." Para ele, o governo "falhou em prevenir o conflito e agora quer trocar a Justiça pelo espetáculo".

Nem todo mundo mirou em Simões

O deputado federal Zé Vitor, presidente estadual do PL em Minas, cobrou agilidade sem citar o governador diretamente: "Eu espero que o governo, qualquer que seja, sempre tome atitudes rápidas para prezar pela ordem."

O parlamentar foi além e criticou o MTL, dizendo que "sofre quem maldosamente é usado pela coordenação desse grupo, que abusa da fragilidade de alguns". A reportagem não traz posição de Flávio Roscoe, candidato do PL, sobre o episódio.

O caso chega a uma disputa já marcada por embates diretos. Kalil acionou a Justiça contra o uso de Lula e Zema na propaganda de adversários.

Os dois já disputam posição nas pesquisas para o governo de MG, o que ajuda a explicar a rapidez com que reagiram ao caso.

O que acontece agora

A Polícia Militar segue no perímetro da Fazenda Bom Jardim, e o governo estadual não deu prazo para a saída dos ocupantes. Com o caso repercutindo na campanha, novas manifestações de outros candidatos ao governo de MG são esperadas ao longo da semana.