A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) anunciou nesta segunda-feira (31) a saída de Isaac Sidney da presidência-executiva após 7 anos e 4 meses no cargo. Leandro Vilain, hoje presidente da Associação Brasileira de Bancos Comerciais (ABBC), assume a função em outubro, numa transição definida como planejada há mais de um ano.
O anúncio partiu de Milton Maluhy, que preside o conselho da Febraban e também comanda o Itaú. A federação classificou a sucessão como abreviada, harmoniosa e institucional, um sinal de que a saída foi negociada, não abrupta.
Sidney está no comando executivo desde março de 2020 e já havia sinalizado, no primeiro semestre de 2025, a intenção de encerrar o mandato. Foi sob sua gestão que a Febraban atravessou episódios de tensão do setor, caso da crise do Banco Master.
Vilain chega com histórico dentro da própria federação. Ele passou 9 anos no conselho da Febraban, entre 2015 e 2024, e trabalhou 5 anos diretamente com Sidney como diretor de produtos e serviços bancários.
Depois disso, foi sócio e executivo da consultoria Oliver Wyman antes de assumir a presidência da ABBC, cargo que ocupa há um ano e quatro meses e de onde sai agora para a Febraban.
A gestão de Sidney deixa números concretos. Os bancos associados investiram R$ 2 bilhões em Open Finance nos últimos quatro anos.
O sistema chegou a 62 milhões de consentimentos de dados em janeiro de 2025, alta de 44% sobre os 43 milhões registrados um ano antes.
O setor também investiu R$ 50 bilhões em tecnologia só em 2024, patamar que a Febraban usa para justificar o discurso de vanguarda tecnológica do sistema bancário brasileiro.
O investimento em tecnologia dos bancos deve subir mais 8% em 2026, segundo levantamento que a própria federação divulgou.
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O Pix é outro pilar do período. A ferramenta criada pelo Banco Central incluiu 70 milhões de brasileiros no sistema financeiro desde o lançamento, mudança que a Febraban acompanhou de perto como representante dos bancos.
É esse o legado que Vilain herda. Uma Febraban mais tecnológica e um sistema financeiro mais aberto do que há sete anos.
A federação também testou sua capacidade de resposta institucional recentemente. Em julho, ainda sob Sidney, a Febraban condenou o dossiê encomendado por Daniel Vorcaro contra o Banco Central, episódio que expôs a federação a um dos maiores atritos do setor bancário em 2026.
O que muda com a chegada de Vilain
Vilain assume a presidência-executiva em outubro e mantém a estrutura de governança da Febraban. O cargo é técnico e executivo, enquanto a presidência do conselho segue com Maluhy. A federação não anunciou mudança de agenda para a nova gestão.
Por ora, a continuidade é o discurso oficial da federação. Vilain já ocupou a cadeira de diretor de produtos com Sidney e representa hoje os bancos comerciais médios pela ABBC, o que a Febraban apresenta como garantia de transição sem ruptura.


























