A rede de óculos e acessórios Chilli Beans anunciou nesta segunda-feira (31) a chegada de André Dela Togna como novo co-CEO, com a missão de negociar a dívida da empresa com bancos credores. Segundo apurou o site NeoFeed, o passivo bruto soma cerca de R$ 600 milhões.

O NeoFeed apurou que a empresa avaliava pedir recuperação judicial diante do tamanho da dívida. Em nota, a Chilli Beans negou essa possibilidade e disse manter negociação amigável avançada com os bancos para rever prazos e taxas de juros.

A dívida bruta era de R$ 216 milhões em dezembro de 2023 e subiu para R$ 290 milhões em 2024, chegando perto de R$ 600 milhões no fim de 2025, segundo o levantamento. A alta acompanha a crise que atingiu o varejo de moda brasileiro desde a pandemia de Covid-19.

É a segunda vez que Dela Togna assume a missão de reestruturar as finanças de uma varejista em dificuldade. Ele foi CEO da Paquetá The Shoes Company entre 2022 e 2023, período em que a fabricante de calçados também passou por recuperação judicial. Na Chilli Beans, assume o cargo em 1º de outubro, focado no financeiro e na reestruturação.

O fundador Caito Maia permanece como CEO e concentra a atuação em marketing, no comercial e na relação com os franqueados. Segundo a nota da empresa, a chegada do co-CEO tem o objetivo de dar suporte operacional a Maia para que ele siga tocando a expansão da rede.

A Chilli Beans soma cerca de 1,3 mil pontos de venda entre lojas e quiosques, espalhados por 20 países. A companhia, fundada em 1997, tem valor de mercado estimado em R$ 1,5 bilhão.

Relembre o caso

A Chilli Beans entra numa lista recente de redes brasileiras que buscam alívio para dívidas em bancos ou na Justiça. Em agosto, a Casas Bahia obteve proteção judicial de 180 dias contra credores.

O cenário setorial é amplo. Levantamento recente mostra que o varejo fechou 1,1 mil lojas e cortou 46 mil vagas no período.

O Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial, alta em relação ao período anterior.

O que acontece agora

As negociações com os bancos credores devem se intensificar até a chegada de Dela Togna ao cargo, em outubro. A empresa não deu prazo para concluir a renegociação da dívida de R$ 600 milhões nem disse se descarta de vez o pedido de recuperação judicial.