O escritor Augusto Cury (Avante) virou alvo de rivais da terceira via depois de saltar de 2% para 11% na pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (31), quando assumiu o terceiro lugar na corrida presidencial. Kim Kataguiri chamou as propostas dele de bobagem, Renan Santos o classificou como "vazio", e aliados saíram em defesa do crescimento.

Segundo o levantamento, que ouviu 2.005 eleitores entre 28 e 30 de agosto, Lula tem 39% das intenções no primeiro turno e Flávio Bolsonaro, 33%, margem de erro de dois pontos e confiança de 95%, registro BR-08900/2026 no TSE. Uma semana antes, Cury marcava 2%. O salto de nove pontos tirou o escritor de trás de Caiado e Renan Santos e o colocou como a principal novidade da disputa.

O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), do mesmo partido de Renan Santos, foi um dos mais duros: "Eu nunca vi nem a Dilma falar tantas bobagens quanto este senhor", disse, sobre a proposta de Cury de um ministério de inteligência artificial e drones contra feminicídio. O dirigente Adrilles Jorge (União Brasil) chamou a mesma ideia de "ficção científica sem pé nem cabeça".

Renan Santos, com a candidatura suspensa por decisão do ministro Toffoli no TSE por perfis não declarados, foi além e atacou o próprio candidato:

Ele é vazio, é uma sacola vazia.

Santos afirmou ainda que Cury "vai começar a apanhar como já está apanhando desde que passou o Jornal Nacional" e reivindicou ter "a base de votos mais sólida" entre os nomes de terceira via. Cury já havia respondido a uma provocação anterior de Santos: "Sua agressividade me assombra".

Por que a alta de Cury incomoda tanto os rivais

As críticas mais duras partem de dentro do próprio espaço que mais perde força com a alta de Cury: o dos outros candidatos de terceira via. O deputado Jones Manoel (PSOL) aproveitou a rusga para atacar Renan Santos, chamando-o de "candidato tão medíocre, tão tosco", enquanto André Janones (Rede-MG) pediu aos seguidores que parem de comentar sobre Cury, porque os algoritmos tratam qualquer menção, mesmo negativa, como sinal de relevância.

Nem toda reação foi hostil. Janaina Paschoal (PP) avaliou o crescimento de forma positiva, associando-o à popularidade de Cury como escritor best-seller que propõe taxar apostas esportivas e cortar ministérios. Manoel Gomes, do próprio Avante, declarou apoio explícito e posicionou o candidato como alternativa à polarização entre Lula e Flávio.

Outro instituto, a AtlasIntel/Bloomberg, mediu o mesmo movimento: Cury foi de 1,6% em julho a 7,8% em agosto, ficando tecnicamente empatado com Renan Santos (7,6%) dentro da margem de erro de um ponto. As duas pesquisas atribuem o salto ao debate promovido por Band e Estadão em 23 de agosto, do qual Lula, Flávio e Zema ficaram de fora, e à repercussão nas redes, onde Cury ultrapassou os 10 milhões de seguidores.

O que acontece agora

A propaganda eleitoral no rádio e na TV começou em 28 de agosto, e novos institutos devem medir a disputa ao longo de setembro. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e a permanência de Cury nos dois dígitos será o primeiro teste de se o salto resiste ao desgaste da campanha.