O preço do milho subiu 5,8% em agosto no mercado físico de Campinas (SP), segundo o indicador Cepea/Esalq. A saca de 60 kg chegou a R$ 69,05 em 27 de agosto, o maior valor do mês, e o Brasil caminha para a maior safra do grão já registrada.
O que explica a alta apesar da safra recorde?
Segundo o Cepea, a pressão vem da retenção de estoques. Produtores represam a oferta mesmo com a colheita recorde em curso, e o quadro se soma a fatores externos, como a queda esperada na produtividade do milho nos EUA e estimativas fracas na União Europeia.
As tensões no Mar Negro completam o quadro de oferta apertada lá fora. Foi o mesmo fator que empurrou o preço do trigo ao maior patamar em três anos.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de milho de 142,96 milhões de toneladas para 2025/26, no 11º levantamento do ano. O volume se divide em 29,49 milhões de toneladas na primeira safra, 111,03 milhões na segunda e 2,4 milhões na terceira.
A produção total de grãos e oleaginosas do país também é recorde, em 360,8 milhões de toneladas, alta de 2,4% sobre o ciclo anterior.
Quem sente o efeito no bolso?
O milho é a base da ração animal no Brasil, ao lado da soja. Cerca de 70% do custo de produção do frango vem da alimentação dos animais, segundo levantamentos do setor.
Com o grão mais caro, a conta chega primeiro para avicultores e suinocultores, antes de eventualmente aparecer na gôndola.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta recordes de produção, exportação e consumo de frango, suínos e ovos em 2026. Mas a entidade já aponta a reprecificação do milho e da soja como um risco à margem do setor daqui para frente.
Milho mais caro não significa falta de grão nas prateleiras, mas aperta a margem de quem cria animais antes de qualquer efeito chegar ao consumidor final.
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O movimento do milho reforça um padrão que já aparece em outro grão da mesma cadeia. Em agosto, o preço da soja também disparou e a saca passou dos R$ 160, puxado por uma dinâmica parecida de oferta represada.
Um levantamento publicado neste mês detalha por que a soja está no maior patamar desde 2023 e quem sente o efeito primeiro na cadeia produtiva.
Por ora, a safra recorde garante abastecimento no país. O que os dois movimentos têm em comum é reagir a um cenário externo tenso, não a uma quebra de produção interna.


























