Márlon de Carvalho Leão, tio da capitã da PM Michelle Leão, descreveu à apresentadora Jerusa Drummond um padrão de controle que, segundo ele, cercava o dia a dia da sobrinha havia anos. Ele pediu que mulheres denunciem qualquer sinal de agressão desde o início, antes que evolua para violência física.
Márlon contou ter ficado sabendo, depois da morte de Michelle, que o casal promovia reuniões em casa com regras rígidas de permanência. Segundo ele, os convidados não podiam sair sozinhos nem ir embora sem autorização do anfitrião.
Regras de controle nas reuniões
"Só podia ir embora depois que ele permitisse, a pessoa que entrou não poderia sair", contou Márlon, ao descrever o funcionamento desses encontros na casa do casal.
Outra regra, segundo Márlon, era que ninguém podia descer sozinho do apartamento: só em grupo, sempre acompanhado. Ele afirmou ter ficado sabendo dos detalhes por relatos de pessoas que frequentaram a casa do casal.
Uma dessas convidadas, segundo o tio, parou de ir às reuniões depois de presenciar uma cena que ela preferiu não descrever em detalhes.
A apresentadora Jerusa Drummond, que também relata ter sido vítima de violência doméstica, apontou um padrão de escalada ligado à carreira da capitã. "Porque quanto mais Michelle se destacava, mais Michelle apanhava em casa. Eu garanto isso a vocês", afirmou Jerusa durante a entrevista.
Jerusa disse ainda que permanecer numa relação abusiva não significa aceitação. "Eu apanhei porque eu psicologicamente estava dominada", afirmou, ao descrever o que considera um padrão comum entre vítimas de parceiros com comportamento controlador.
Denúncia e proteção
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) prevê medida protetiva de urgência para vítimas de violência doméstica, que pode ser solicitada em delegacias especializadas de atendimento à mulher.
O canal oficial de acolhimento e orientação é o Ligue 180, da Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas por dia em todo o país.
Márlon afirmou participar de entrevistas e podcasts desde a morte da sobrinha para chamar atenção para o caso, e disse pretender continuar comparecendo a esses espaços enquanto puder falar sobre o assunto.
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"As mulheres têm que saber tomar atitude antes, não esperar o que aconteceu", disse Márlon, ao defender que o alerta comece no primeiro sinal, ainda que verbal.
Márlon afirmou também haver pessoas que estiveram no velório de Michelle e disseram, em conversas reservadas, ter presenciado episódios de agressão. Segundo ele, essas pessoas não procuraram a polícia até agora.
O sargento, marido de Michelle, é investigado pela morte da capitã e não foi condenado até a publicação desta matéria.






























