Um estudo do Insper estima que o Pé-de-Meia, programa que paga bolsa a estudantes do ensino médio público, pode gerar um retorno de R$ 184,6 bilhões à economia brasileira. O valor equivale a 15 vezes o orçamento anual do programa, de cerca de R$ 12 bilhões, e foi celebrado pelo presidente Lula nesta segunda-feira (31).

Segundo o Núcleo de Estudos Raciais do Insper, o programa deve viabilizar 372 mil conclusões adicionais do ensino médio por ano. Divididas por faixa etária, 145,6 mil delas, entre 15 e 19 anos, equivaleriam a R$ 78,2 bilhões.

As outras 226,1 mil conclusões, de pessoas entre 20 e 24 anos, somariam R$ 106,4 bilhões. O cálculo tem como base um estudo de 2021 do economista Ricardo Paes de Barros sobre as perdas causadas pela evasão.

Os próprios autores do levantamento fazem uma ressalva: o gasto público do programa é anual, mas os ganhos de quem termina os estudos só aparecem ao longo de muitos anos.

Pelas contas do Insper, o Pé-de-Meia pode reduzir a evasão no ensino médio de 26,4% para 19,9%, queda de 6,5 pontos. Na prática, é manter na escola cerca de 1 em cada 4 alunos que abandonariam os estudos.

"Distorção inaceitável"

Lula usou o estudo para reforçar a razão de ser do programa, que paga bolsas mensais e bônus por frequência e conclusão. Ele chamou a evasão escolar de "distorção inaceitável".

Segundo a caracterização do governo, cerca de 500 mil estudantes das camadas mais vulneráveis deixavam o ensino médio todo ano antes de concluir os estudos, muitos para ajudar na renda familiar.

O Pé-de-Meia paga ao aluno do ensino médio público até R$ 9.200 ao longo de três anos, somando parcelas mensais e bônus de matrícula, frequência e conclusão. O programa começou a pagar em 2024.

Nem todo mundo lê os números do mesmo jeito

Em abril, o Censo Escolar 2025 havia mostrado queda de 5,4% nas matrículas do ensino médio, de 7,79 milhões em 2024 para 7,37 milhões em 2025, o menor nível em cerca de uma década.

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À época, o economista Sergio Werlang, da FGV, disse que "ainda não há base empírica para afirmar que o Pé-de-Meia tenha produzido impacto mensurável".

O programa também já enfrentou problemas de gestão: uma auditoria achou CPFs de pessoas falecidas recebendo benefícios e estudantes com renda acima do limite. O Tribunal de Contas da União determinou a suspensão de pagamentos irregulares em março.

O que acontece agora

O estudo do Insper deve alimentar o debate sobre o programa às vésperas da eleição de 2026, quando o governo tenta transformar o Pé-de-Meia em vitrine da sua gestão. Novas parcelas continuam sendo pagas mensalmente aos estudantes cadastrados.