O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli suspendeu nesta segunda-feira (31) a propaganda digital do candidato à Presidência Wilson Grassi, do Democrata. A decisão também tira Grassi dos debates de TV, rádio e podcast.
Toffoli bloqueou ainda novos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) à chapa. Os R$ 3.307.679,85 já recebidos do fundo ficam congelados enquanto a decisão valer, e a campanha não pode usar esse dinheiro.
A verba tem origem no mesmo Fundo Eleitoral que distribuiu R$ 2,3 bilhões entre os partidos para a corrida de 2026.
O motivo é o atraso na comunicação de perfis usados na campanha. Grassi registrou a candidatura em 11 de agosto, dentro do mesmo lote que levou o TSE a marcar o julgamento de 13 registros à Presidência.
Ele só informou ao TSE oito contas, entre elas o Instagram oficial @wwgrassi, com 156 mil seguidores, em 28 de agosto: 17 dias depois.
Pela lei eleitoral, o candidato precisa informar os endereços eletrônicos que vai usar na campanha e só pode publicar neles 48 horas depois do registro no TSE. Na decisão, Toffoli escreveu:
O candidato tinha ciência prévia de que deveria informar os endereços e que só poderia usá-los na campanha após 48 horas de seu registro pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ele violou frontalmente a obrigação.
Segundo caso do tipo em um dia
A decisão contra Grassi saiu horas depois de Toffoli aplicar a mesma punição a Renan Santos, do partido Missão, pelo mesmo tipo de violação. São candidatos e partidos diferentes, mas o padrão de descumprimento é idêntico: perfis declarados fora do prazo de 48 horas.
Até a publicação desta matéria, a campanha de Grassi não havia se manifestado sobre a decisão.
Grassi Júnior, veterinário de 56 anos, foi lançado candidato em convenção do Democrata no Rio de Janeiro em 2 de agosto, ao lado da vice Suêd Haidar, presidente do partido.
É a primeira vez que a legenda lança um nome à Presidência desde que passou a se chamar Democrata, em dezembro.
O que acontece agora
A suspensão vale enquanto o processo tramita no TSE, e Grassi pode recorrer da decisão à Corte. No caso análogo de mais cedo no mesmo dia, Renan Santos já afirmou que vai pedir liminar contra a suspensão de sua candidatura.


























