Entregadores de aplicativos organizam uma paralisação nacional nesta terça-feira (1º), batizada de Breque Geral dos Apps, contra o sistema +Entregas do iFood. A categoria cobra R$ 10 por corrida curta e mais R$ 2,50 por quilômetro rodado, além de mais transparência no bloqueio automático de contas.

Segundo os organizadores, os valores cobrem o mínimo necessário para pagar combustível e manutenção do veículo. A categoria também critica o sistema atual de bloqueio de contas, hoje operado de forma automática e com pouco espaço de defesa para quem é penalizado.

A orientação dos organizadores é ficar off-line nos aplicativos ao longo do dia, com carreatas programadas em diferentes cidades para reforçar a adesão ao movimento.

O que é o +Entregas e por que ele divide opiniões?

O +Entregas é uma modalidade do iFood que fixa o entregador a horários e locais determinados em troca de mais previsibilidade de ganhos. Para a empresa, a adesão é opcional.

Já o ministro Guilherme Boulos, do governo federal, criticou publicamente o modelo em 28 de agosto, ao afirmar que ele pune quem não participa.

Entregadores que se recusam a aderir passam a receber menos demandas pelo algoritmo como uma espécie de punição.

A frase, atribuída a Boulos, resume a queixa central da categoria. Quem não entra no +Entregas diz sentir o efeito nas corridas que passa a receber.

Procurado na mesma ocasião, o iFood respondeu que a adesão é voluntária e pode ser cancelada a qualquer momento, sem penalidade na conta. Segundo a empresa, o modelo não substitui a Nuvem, sistema que distribui a maior parte dos pedidos da plataforma.

A empresa também apresentou números para defender o programa. Segundo o iFood, 85% dos entregadores do +Entregas também trabalham pela Nuvem ao mesmo tempo, o serviço está disponível em 173 cidades e responde por 6% do total de pedidos da plataforma.

Quem adere tem ganho de 10% a 30% maior nos períodos agendados, afirma a empresa. A renda média foi de R$ 29,65 por hora em 2025, e o iFood diz que garante a todos os entregadores um piso equivalente ao salário mínimo por hora trabalhada.

Não é a primeira vez que a categoria faz esse pedido.

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Entre 31 de março e 1º de abril de 2025, entregadores já haviam parado em 59 cidades, incluindo 19 capitais, com as mesmas duas reivindicações centrais, R$ 10 por corrida e R$ 2,50 por quilômetro.

Na ocasião, o iFood disse respeitar o direito à manifestação e citou reajustes de 2022 a 2024, mas afirmou não ter registrado impacto relevante nas operações. O impasse chega um ano e meio depois, com a mesma reivindicação ainda sem resposta das plataformas.

A remuneração cobrada pelos aplicativos também é alvo de outra disputa judicial. O Ministério Público do Trabalho move ação contra a Uber e cobra R$ 321 milhões por taxas descontadas de motoristas.

O iFood mantém outras frentes com a categoria. Uma delas é o financiamento com a Caixa para troca de moto ou bike por um modelo elétrico.

A empresa também enfrenta cobranças sobre a segurança de quem trabalha nas ruas, um dos temas por trás da onda de violência contra entregadores registrada neste ano.

O que acontece agora

A paralisação começa nesta terça-feira, com adesão que os organizadores esperam replicar o alcance nacional do movimento de 2025.

O iFood não divulgou nota específica sobre esta edição do protesto até a publicação desta matéria. O histórico da empresa é negar impacto relevante nas entregas mesmo em dias de adesão alta.