Os três candidatos presentes ao 1º debate ao governo de Minas Gerais, promovido pela TMC com a TV Sim Brasil em 2 de setembro, apresentaram planos distintos para lidar com a dívida de R$ 179,3 bilhões do Estado com a União. Ben Mendes defendeu auditoria da dívida; Gabriel Azevedo, parcelamento sem juros; Flávio Roscoe, atrair capital externo.

Auditoria da dívida e capital externo sem novos impostos

Questionado por Gabriel Azevedo sobre como lidaria com a dívida, Ben Mendes (Missão) defendeu três eixos: auditoria da dívida, negociação entre a Advocacia-Geral da União e a do Estado no Supremo Tribunal Federal para não comprometer o pacto federativo, e um ambiente mais atrativo para empresas de fora de Minas. "O Estado precisa continuar existindo", disse o candidato, ao defender que o pagamento da dívida não pode inviabilizar os demais serviços públicos.

Mais adiante no debate, ao ser questionado por Flávio Roscoe sobre a situação fiscal, Ben Mendes detalhou a proposta de geração de receita sem criar tributos: um pacto para que empresas que explorem as terras raras de Minas (ele citou o município de Poços de Caldas como a maior concentração do minério no Estado) também industrializem o produto dentro do território mineiro. "Empresas de outros estados, empresas de outros países virão para Minas Gerais, se instalarão aqui e elas vão gerar receita para o Estado de Minas Gerais sem criar novos tributos", afirmou.

Gabriel Azevedo cobra governo atual e cita Espírito Santo como exemplo

Gabriel Azevedo (MDB) atribuiu o tamanho da dívida à gestão do governo atual. Segundo o candidato, o Estado tinha cerca de R$ 100 bilhões em dívidas ao fim do governo de Fernando Pimentel (PT) e chegou a quase R$ 200 bilhões oito anos depois. "Este governo atual ficou falando muito mal do anterior, mas está entregando uma situação pior", disse.

O plano dele prevê reconhecer a dívida de R$ 179,3 bilhões sem prorrogar decisões, entrar na condicionante sem juros de parcelamento, equilibrar as contas gastando menos do que o Estado arrecada e combater a corrupção nos contratos públicos. Como referência de que o ajuste é possível, ele citou o Espírito Santo governado por Paulo Artung: "já teve quem fez, o Espírito Santo, que foi governado por um grande político, o Paulo Artung, pegou uma situação ainda pior do que a nossa."

A dívida de Minas Gerais com a União soma cerca de R$ 200 bilhões, dos quais R$ 179,3 bilhões foram renegociados no âmbito do Propag, o programa federal de recuperação fiscal citado pelos três candidatos durante o debate. Segundo lembrado na transmissão, o próximo governador assume o cargo em 1º de janeiro.