Candidatos ao governo de Minas Gerais divergiram sobre segurança pública no primeiro debate promovido pela TMC com a TV Sim Brasil. Ben Mendes (Missão) criticou a diferença salarial entre soldados e coronéis da Polícia Militar, enquanto Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL) discordaram sobre como bloquear celulares usados por presos dentro das cadeias.

Coronel ganha o equivalente a 16 soldados, diz candidato

"Aqui no Estado de Minas Gerais, enquanto um policial militar, um soldado, inicia recebendo cerca de 5 mil reais de salário, tem coronel recebendo 83 mil reais, ou seja, um coronel recebendo o equivalente ao salário de 16 soldados", disse Ben Mendes.

"Não é justo que o coronel esteja recebendo o salário de 16, 83 mil", completou o candidato, defendendo cortar o que chamou de privilégios na carreira.

Flávio Roscoe rebateu sem citar números da própria categoria. "Os privilégios devem ser banidos em toda a sociedade", disse o candidato do PL. Ele atribuiu as distorções salariais à burocracia estatal: "É a dificuldade que o Estado cria que gera corrupção."

Bloqueio de celular em presídios divide propostas

Gabriel Azevedo defendeu um plano de combate ao crime organizado com três frentes: uma central de inteligência integrada às polícias, um sistema estadual de rastreamento de celulares roubados e o bloqueio de sinal em presídios. "Se o crime está organizado, o Estado tem que estar organizado também", afirmou.

Outra frente mira o consumidor: um sistema estadual de dados dos aparelhos furtados, para rastrear e devolver celulares roubados aos donos. Segundo o candidato, faltam bloqueadores em boa parte das 200 unidades prisionais que ele diz existirem em Minas Gerais.

Flávio Roscoe discordou do investimento em bloqueadores. Segundo ele, bastaria cortar a energia das celas, já que sem eletricidade nenhum celular funciona. Ele lembrou que uma lei estadual já proíbe tomada elétrica nas celas.

O que fica em aberto

A fala de Flávio Roscoe expõe a lacuna: a lei já existe, mas não é cumprida. Fica em aberto se o próximo governo vai priorizar a fiscalização da lei existente ou investir em tecnologia nova, como os bloqueadores defendidos por Gabriel Azevedo.