Benjamin Steinbruch deixou nesta quarta-feira (2) a presidência executiva da CSN, cargo que ocupou por mais de duas décadas, e passa a presidir o Conselho de Administração da siderúrgica. Fabio Schvartsman, ex-presidente da mineradora Vale, assume o comando executivo a partir desta quinta-feira (3).
A troca ocorre com a CSN endividada. A dívida líquida soma R$ 42 bilhões, alavancagem de 3,5 vezes o Ebitda no segundo trimestre.
As ações da companhia (CSNA3) acumulam queda de 33,6% em 2026, e o valor de mercado caiu para R$ 7,9 bilhões.
Era o momento de trocar de posição
A frase é de Steinbruch, sobre a própria saída do comando executivo.
"Foi um ciclo de realização de muita coisa e agora a gente se propôs a fazer uma mudança na companhia, priorizando a desalavancagem, uma melhor estrutura de capital e os ativos que têm maior margem", completou.
Por que a troca vem agora
A CSN negocia a venda da unidade de cimentos, a CSN Cimentos, por cerca de R$ 12 bilhões, a um múltiplo de 7 vezes o Ebitda.
É bem mais do que o múltiplo de menos de 4 vezes o Ebitda projetado para 2026 pelo qual a própria holding é negociada na bolsa.
Vender um ativo valorizado a esse múltiplo para abater a dívida de uma holding negociada por muito menos é o que explica a pressa da reorganização. Os interessados na CSN Cimentos são a chinesa Huaxin e um consórcio formado por Votorantim e Cementir.
O faturamento da CSN em 2025 somou R$ 44,8 bilhões.
Quem é o novo CEO
Schvartsman foi presidente da Vale entre 2017 e 2019 e estava no cargo quando a barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, se rompeu, em janeiro de 2019. Ele deixou a presidência da mineradora cerca de um mês depois do rompimento.
Antes da Vale, foi CEO da Klabin por seis anos e passou pela Ultrapar.
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É formado em Engenharia de Produção pela USP e integra hoje o conselho da Vibra Energia, distribuidora que também vem reorganizando sua estrutura de dívida.
A CSN também trava uma disputa antitruste ligada à Usiminas. O Cade já aplicou à companhia uma multa de R$ 39 milhões nesse imbróglio societário.
O STJ decidiu a favor da CSN em 2024, e a companhia reduziu sua fatia na concorrente para 4,99% em 2025.
A reorganização de comando é a continuação de um movimento que já vinha em curso. Em junho, a CSN já havia acelerado a venda de ativos de infraestrutura para reduzir a dívida da companhia.
O cenário do setor também pesa na conta. Em julho, a TV Sim mostrou que os preços do minério de ferro haviam subido a uma máxima de semanas, em meio a uma greve na Austrália.
É receita que ajuda, mas não resolve sozinha a alavancagem da CSN.
O que acontece agora
A negociação da CSN Cimentos prevê 45 dias de discussão contratual com os interessados. Se a venda avançar no valor esperado, ela deve ser o principal movimento para reduzir a alavancagem da companhia sob o novo CEO.


























