O ministro Alexandre de Moraes está disposto a levar ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) o confronto com o colega André Mendonça, relator do caso que apura mensagens atribuídas a Moraes e ao banqueiro Daniel Vorcaro. Aliados de Moraes avaliam que há maioria entre os ministros para anular os atos praticados por Mendonça na investigação.
A crise começou quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com as mensagens atribuídas aos dois. Na véspera, os ministros tiveram uma conversa descrita como ríspida.
Nesta quarta-feira (2), os dois compareceram lado a lado à primeira sessão presencial do plenário desde a crise, sem comentar o caso publicamente. A proximidade veio do regimento interno do tribunal, não de escolha dos dois.
Do lado de Mendonça, o apoio mais consistente é do ministro Luiz Fux. A ministra Cármen Lúcia é cotada como voto possível, mas sob avaliação de pressão pública.
Do lado de Moraes, o decano Gilmar Mendes lidera o campo majoritário. Ele já equiparou a condução do caso pelo colega aos métodos da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba.
Triste reminiscências dos métodos e expedientes da força-tarefa de Curitiba
A comparação é de Gilmar Mendes, decano do STF, sobre a atuação de Mendonça no caso do Banco Master.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também está no campo contrário a Mendonça. "Não deve o relator admitir nem determinar que um colega da Corte seja escrutinado", escreveu, sobre a decisão de expor as mensagens atribuídas a Moraes.
Por que Mendonça pediu mais uma semana
Mendonça avisou o presidente do STF, Edson Fachin, que só libera o processo para julgamento na semana que vem.
O adiamento coincide com o interesse do Palácio do Planalto. Auxiliares de Lula preferem que o embate no plenário só ocorra depois das eleições de outubro, para não misturar a crise interna da Corte com a disputa presidencial.
É esse cálculo político que explica por que ninguém no STF tem pressa para levar o caso a voto.
O caso nasceu de contatos revelados entre Vorcaro e Mendonça. Áudios mostram o advogado do banqueiro articulando um encontro reservado entre os dois.
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Mendonça confirmou ter se reunido com Vorcaro para tratar de precatórios sob tutela do Banco Master. Ele também ouviu o banqueiro, sem a presença da Polícia Federal, na semana anterior.
A decisão de Mendonça de levar o caso ao plenário do STF já havia sido antecipada dias antes.
Também nesta semana, a TV Sim mostrou que a PGR fechou a primeira delação do caso Banco Master, com o ex-dono da Reag.
A crise entre os dois ministros já preocupava o Palácio. Em agosto, Lula articulou uma reunião entre a Polícia Federal e Mendonça para tentar conter o desgaste, sem sucesso.
O caso remonta a agosto, quando um novo advogado de Vorcaro pediu audiência com Mendonça para retomar as tratativas de delação.
O que acontece agora
Fachin já sinalizou que vai dar "o devido encaminhamento institucional" ao caso, levando a decisão formal para o plenário.
Quem mantém a palavra final sobre quando o processo é liberado para julgamento é o próprio Mendonça, que fixou o prazo em uma semana. É esse intervalo que separa a crise pública de hoje de um voto formal da Corte.






























