Os três candidatos ao governo de Minas Gerais presentes no primeiro debate da TMC com a TV Sim Brasil apresentaram propostas diferentes contra o feminicídio, depois de dados que mostram alta de casos no estado. Ben Mendes (Missão), Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL) divergiram entre prevenção, penas mais duras e monitoramento por câmeras.

As propostas apareceram em dois momentos do debate: na pergunta da jornalista Letícia Benassi, no bloco reservado à imprensa, e numa pergunta do próprio Gabriel Azevedo a Flávio Roscoe sobre uma fala do ex-presidente Jair Bolsonaro, no bloco de perguntas entre candidatos.

O que os números mostram

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Minas Gerais teve 177 feminicídios em 2025, ante 169 em 2024, e é o segundo estado em mortes de mulheres por gênero, atrás de São Paulo. O estado já somava 78 casos no primeiro semestre deste ano.

Prevenção, penas e câmeras: as respostas dos candidatos

"Nós pretendemos ter redes de apoio de mulheres em igrejas, em escolas, em universidades para que essas mulheres saibam identificar qual é o contexto de uma violência", disse Ben Mendes, que defendeu "o aumento de penas e penas duras para feminicidas e agressores de mulheres".

Cobrado por Letícia Benassi sobre como a rede de apoio funcionaria na prática, Ben Mendes respondeu que o plano incluiria uma secretaria estadual dedicada às pautas das mulheres, com fóruns dentro de escolas, igrejas e universidades.

Gabriel Azevedo defendeu a bandeira do "feminicídio zero" e citou a vice em sua chapa. "Maria Helena, que é a nossa candidata vice-governadora, quatro vezes vereadora, quer me ajudar a criar uma rede de apoio a quem sofreu violência e vai recomeçar", afirmou.

Flávio Roscoe disse discordar da fala de Bolsonaro chamando feminicídio de "mimimi". "Todo crime deve ser combatido pela sociedade", declarou, defendendo que nenhum crime pese menos por causa do sexo da vítima e atribuindo a violência à falta de educação e à impunidade.

Como proposta concreta, Flávio Roscoe defendeu instalar 200 mil câmeras de reconhecimento facial em Minas Gerais, para identificar agressores condenados quando se aproximarem da residência das vítimas.