A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou nesta quarta-feira (2) o primeiro acordo de delação premiada da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. O colaborador é João Carlos Falbo Mansur, ex-presidente do conselho de administração da Reag Investimentos.
Segundo os depoimentos já prestados e os documentos entregues aos investigadores, Mansur detalhou crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master, além de apontar outras pessoas envolvidas no esquema.
A proposta de colaboração contempla ao menos 17 temas diferentes e prevê multa de R$ 40 milhões a ser paga por Mansur. O acordo já foi enviado pela PGR ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Antes de valer, a delação ainda depende da homologação de Mendonça, que vai avaliar em audiência se a colaboração foi espontânea e se atende aos critérios da lei.
Mesmo caso, duas frentes no mesmo dia
A assinatura da delação ocorre no mesmo dia em que Mendonça levou ao plenário do STF a análise de mensagens que a Polícia Federal atribui a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, questionadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Vorcaro está preso desde o fim de agosto. Ele já havia depoido à Polícia Federal sobre suspeita de propina a diretores do Banco Central, no âmbito da mesma operação que agora ganha o primeiro colaborador.
O banqueiro também está no centro de outra frente do caso: a negociação de R$ 134 milhões que teve com Flávio Bolsonaro para financiar um filme sobre o pai dele, hoje sob investigação separada.
Não é a primeira vez que Mansur fala sobre o caso
Mansur já havia prestado depoimento público sobre o mesmo esquema em março, quando foi ouvido como testemunha na CPI do Crime Organizado do Senado, que também investigava suspeita de lavagem de dinheiro via comércio de joias.
Seis meses depois daquela oitiva, ele assina agora um acordo formal de colaboração premiada, com multa definida e temas específicos entregues à Justiça.
O que acontece agora
Mendonça ainda vai marcar uma audiência para ouvir Mansur pessoalmente sobre a espontaneidade do acordo, etapa obrigatória antes de homologar qualquer delação premiada no STF. Não há data definida até a publicação desta matéria.






























