O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) disse nesta quarta-feira (2), em entrevista à CNN, que câmeras corporais não deveriam equipar policiais em operações contra facções criminosas. Ele também prometeu cortar pelo menos R$ 100 bilhões do orçamento federal caso seja eleito em 2026.
Eu nunca vi um campo de guerra policial ter câmera
Caiado comparou as operações contra o crime organizado a um confronto bélico e disse que o equipamento atrapalharia o trabalho policial. Como alternativa, prometeu construir 40 presídios de segurança máxima, criar um Ministério da Segurança Pública e classificar facções como organizações terroristas.
Sobre a escala 6x1, ele defende um modelo de jornada flexível. "Minha tese é a hora trabalhada. Você trabalha quantas horas quiser e no dia que quiser", disse, mas pediu uma exceção para micro e pequenas empresas.
Onde o corte de gastos deve vir
No campo fiscal, Caiado soma R$ 50 bilhões em emendas impositivas, 25% de redução no custeio dos Poderes, corte de supersalários e auditoria em benefícios. "Eu cortarei no mínimo R$ 100 bilhões. Só de emendas impositivas, R$ 50 bilhões", afirmou.
Segundo ele, o total pode chegar a R$ 120-130 bilhões, incluindo R$ 30 bilhões em incentivos fiscais, estimativa que baseia num corte de R$ 3 bilhões já feito em Goiás. Disse ainda que não pretende começar o ajuste pelos aposentados.
Sobre o Judiciário, Caiado defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes do STF por considerar que o Senado tem maioria para um processo de impeachment, e voltou a propor idade mínima de 60 anos para chegar à Corte, proposta que já defendia desde abril.
Como os outros dois principais candidatos divergem
A posição de Caiado contrasta com a dos outros dois nomes mais bem colocados nas pesquisas, num quadro eleitoral que já mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Lula propõe o caminho oposto: ampliar o uso de câmeras corporais e criar regras nacionais para gestão e preservação das imagens, além de defender uma PEC de Segurança Pública e um ministério próprio para a área.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, aposta em reconhecimento facial e mais de 1 milhão de câmeras de vigilância em portos e aeroportos, com endurecimento penal e redução da maioridade penal.
Dados da Agência Brasil de 2023 mostram que a letalidade policial em São Paulo caiu nos batalhões que passaram a usar câmeras operacionais portáteis, o oposto do efeito que Caiado associa ao equipamento. O debate sobre câmeras já dividiu candidatos ao governo de Minas Gerais em agosto.






















































