O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), citou nesta quarta-feira (2) o pagamento de R$ 130 milhões ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A citação foi a resposta dele a senadores bolsonaristas que cobram impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes.

A fala aconteceu durante sessão do plenário do Senado, por volta das 21h. Um dia antes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, havia pressionado Alcolumbre pessoalmente, argumentando que o ambiente institucional está comprometido e que Moraes estaria sendo usado para articulação política.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) também cobrou publicamente o avanço dos pedidos.

"Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e agora o culpado sou eu e o ministro Moraes."

Alcolumbre se referia a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, preso preventivamente desde março. Segundo apurado, Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro o financiamento do longa biográfico sobre o pai, negociado em R$ 134 milhões.

Desse total, R$ 61 milhões já teriam sido repassados a um fundo de produção no início de 2025. Questionado sobre quando vai pautar os pedidos de impeachment, Alcolumbre foi direto: "Não tenho."

O caso Dark Horse, em resumo

A cobrança por impeachment de Moraes ganhou força depois que vieram à tona mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro.

Um relatório da Polícia Federal aponta que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, recebeu contratos de até R$ 158 milhões do banqueiro.

Foi o ministro André Mendonça quem deu publicidade a essa investigação. Ao lembrar o financiamento do filme, Alcolumbre sugere que a cobrança seletiva mira só um lado de uma relação com o mesmo financiador.

A decisão de admitir ou não um processo de impeachment contra ministro do STF é exclusiva do presidente do Senado, sem prazo fixado em regimento. O próprio caso Dark Horse já havia motivado a abertura de inquérito no STF sobre o financiamento do filme.

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A pressão por impeachment de ministros da Corte não é novidade nesta legislatura. Em agosto, o senador Domingos Sávio já defendia discutir o tema no plenário.

O movimento foi chamado pelo ministro Gilmar Mendes de "equívoco eleitoral".

O que acontece agora

O episódio se soma a uma sequência de desdobramentos do caso Vorcaro-Moraes nesta semana. Na terça (1º), vieram a público as mensagens entre o banqueiro e o ministro.

Na quarta, Mendonça levou o caso ao plenário do STF.

Horas depois, Moraes topou o confronto direto na Corte, avaliando ter maioria contra o colega. Não há data marcada para o Senado decidir sobre os pedidos de impeachment.

Segundo o Congresso Nacional, tramitam ao todo 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros do STF, dos quais 55 são só contra Moraes, protocolados desde 2021. É uma pressão anterior ao episódio Vorcaro, e nenhum pedido avançou até aqui.