O deputado federal Marcelo Aro (PP), pré-candidato ao Senado por Minas Gerais, viu o apoio declarado de 844 prefeitos mineiros ficar sob suspeita depois de romper com o governador Mateus Simões (PSD) em julho e perder o apoio do senador Cleitinho (Republicanos) em agosto. Lideranças dizem que a base política de Aro dependia da máquina estadual.
Em entrevista no dia 1º de julho, Aro afirmou: "Minas tem 853 prefeitos. Eu tenho o apoio declarado e público de 844 prefeitos. Só nove não me apoiam."
Duas semanas depois, em 16 de julho, ele rompeu oficialmente com o governo de Simões, do qual foi secretário de Estado de Governo até abril.
O presidente do PSD-MG, Cássio Soares, contesta o número. "Ele tinha esses prefeitos enquanto candidato a senador ao lado do governador Mateus Simões. Com esse rompimento, eu não acho que essa conta se mantenha", disse.
Soares afirma que o PSD tem apoio próprio de 160 prefeitos filiados ao partido em Minas Gerais e evita cravar se o apoio real de Aro hoje é maior ou menor que os 844 declarados.
O segundo racha veio em 17 de agosto, quando uma reunião da campanha de Cleitinho formalizou o fim do apoio à candidatura de Aro ao Senado. O coordenador de campanha do senador, Luís Eduardo Falcão, evitou o termo "rompimento".
"Nós estamos em uma coligação entre os partidos Republicanos e Podemos... fizemos a opção de manter boa relação com todos", disse Falcão.
Pesa contra Aro o caso Cemig SIM. Empresas ligadas a ele foram citadas em investigação da Polícia Federal sobre contratos suspeitos com a subsidiária da Cemig, o que elevou o risco de mantê-lo próximo da candidatura de Cleitinho ao governo.
A campanha de Cleitinho nega qualquer envolvimento do senador no caso.
Como Aro tentou blindar a própria candidatura antes
O racha não é só sobre convênio municipal. Antes de romper com Cleitinho, Aro havia tentado articular com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para assumir a vaga ao governo no lugar do senador.
Cleitinho respondeu em público: "Se eu não vier candidato... eu não vou apoiar essa chapa."
Zema, hoje fora do comando do Executivo estadual, chamou Aro publicamente de "ave de rapina" (declaração citada por aliados de Cleitinho como um dos motivos do distanciamento).
Aro concorre a uma das duas vagas ao Senado por Minas Gerais nas eleições de outubro, agora sem o apoio explícito de Simões nem de Cleitinho.
A disputa ao Senado soma-se a uma eleição estadual fragmentada: Minas Gerais tem 1.810 candidaturas registradas para 2026, entre governo, Senado e Assembleia.


























