A Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram nesta quinta-feira (20) a Operação Fora de Ordem contra a milícia conhecida como Bonde do Varão, que atua na Baixada Fluminense. Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão.

Os 23 mandados atingiram integrantes do grupo na capital fluminense e em Nova Iguaçu. Eles foram expedidos pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ).

A investigação identificou movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões, com base em relatórios do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. A Justiça também determinou o bloqueio de contas e bens dos investigados.

Segundo apuração das autoridades, pessoas e empresas ligadas ao esquema atuavam em ramos como provedores de internet e venda de gás, usados para movimentar os recursos suspeitos.

Quem é o alvo principal

O principal apontado como líder da organização é Gilson Ingrácio de Souza Júnior, conhecido como "Juninho Varão". Ele está foragido, com mandado de prisão em aberto por organização paramilitar.

Segundo o MPRJ, o grupo atua principalmente em Nova Iguaçu e Seropédica. A milícia é investigada por cobrar "taxa de segurança" de moradores e comerciantes e por controlar serviços essenciais na região.

As investigações também apontam envolvimento do grupo em mortes ligadas a disputas territoriais.

Outra frente identificada pelas investigações: desde 2025, integrantes da milícia controlavam a venda de farinha de trigo na região, obrigando comerciantes a comprar o produto só de fornecedores ligados ao grupo.

Não é a primeira ação contra o grupo

Em fevereiro e março deste ano, ações policiais anteriores já haviam apreendido fuzis, coletes balísticos e veículos de luxo roubados usados pela organização.

A repetição de operações mostra que o grupo resistiu a golpes anteriores. Um braço direito de Juninho Varão chegou a ser preso em Nova Iguaçu, mas o líder segue foragido.

O que ainda falta responder

Com o líder foragido e mais de R$ 350 milhões sob suspeita, fica em aberto até onde vai a rede de empresas usadas para movimentar esse dinheiro, e se o bloqueio de bens desta quinta-feira consegue de fato cortar o financiamento do grupo.