O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou nesta quinta-feira (20) um pedido de CPMI para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. O requerimento apura suspeita de tráfico de influência em negociações de medicamentos à base de canabidiol no Ministério da Saúde. Viana precisa de 27 assinaturas de senadores para avançar.

Viana concorre à reeleição ao Senado por Minas Gerais nas eleições de outubro. O requerimento é assinado também pelos deputados Cabo Gilberto Silva (PL-PB), Helio Lopes (PL-RJ) e Mario Frias (PL-SP).

Para a comissão ser instalada, o texto precisa de 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores, um terço de cada Casa. Reunido o mínimo, cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ler o requerimento em plenário para autorizar a instalação.

A proposta prevê comissão com 15 senadores e 15 deputados titulares, mais 30 suplentes, com 90 dias para concluir os trabalhos.

"Protocolei o pedido de CPMI porque espero que a Câmara também participe dessa apuração, para esclarecer todos os detalhes sobre tráfico de influência e crimes de corrupção que estão sendo noticiados envolvendo o Ministério da Saúde", disse Viana.

"A população brasileira quer saber quem é culpado e quem é inocente", completou o senador.

O requerimento cita negociações que teriam envolvido o Ministério da Saúde na compra de medicamentos à base de canabidiol para o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o texto, uma minuta de contrato chegou a circular entre os envolvidos.

A transação não se concretizou, segundo o próprio requerimento.

A Polícia Federal investiga se a lobista Roberta Luchsinger atuou em nome de Fábio Luís Lula da Silva junto a órgãos do governo federal. Segundo a PF, mensagens trocadas entre os dois e ao menos seis viagens conjuntas entre 2024 e 2025 reforçam a proximidade.

A CPMI é protocolada dias depois de a Procuradoria-Geral da República informar que não encontrou negócio concluído no caso do filho de Lula. A investigação da PF, porém, segue aberta.

O advogado de Fábio Luís Lula da Silva, Marco Aurélio de Carvalho, classificou as informações da Polícia Federal como "insinuações irresponsáveis" e disse que setores da corporação agem com objetivo eleitoral. A defesa nega qualquer irregularidade.

Segundo o advogado, em reunião no Palácio do Alvorada, o presidente Lula disse que o filho deve se apresentar à Justiça para prestar esclarecimentos. Lula afirmou ainda não querer o filho "acima da lei" e rejeitou qualquer interferência na Polícia Federal.

O precedente de fevereiro

Não é a primeira tentativa do Congresso de escrutinar Lulinha neste ano. Em fevereiro, a CPMI do INSS já havia aprovado a quebra de sigilo bancário e fiscal do filho do presidente, dentro de um pacote de 87 requerimentos votados de uma vez.

Davi Alcolumbre manteve a decisão em março, após recurso de parlamentares governistas. Dias depois, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, anulou a quebra de sigilo aprovada pela CPMI.

Se Viana reunir o número mínimo de assinaturas, o requerimento segue para leitura de Alcolumbre no plenário do Congresso, etapa que autoriza a instalação da nova comissão.