A Polícia Militar do Rio de Janeiro fez uma megaoperação no Complexo de Israel, na zona norte da capital fluminense, na madrugada desta sexta-feira (21). Cerca de 200 policiais de sete unidades enfrentaram tiroteio ao entrar nas comunidades, e um motorista de ônibus foi baleado por bala perdida durante a manhã, na Parada de Lucas.

Segundo a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), o objetivo da ação é reforçar o policiamento e combater grupos armados que atuam na região. A operação reuniu cerca de 200 policiais de sete unidades especializadas, entre elas o Bope e o Grupamento Aeromóvel (GAM).

O aparato somou cinco veículos blindados, motos e apoio aéreo. A corporação informou que os agentes foram recebidos a tiros pouco antes das 4h.

Ao entrar nas comunidades de Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas, os policiais encontraram barricadas. Pneus e veículos incendiados bloqueavam as ruas, e o Corpo de Bombeiros precisou ser acionado para conter as chamas.

Depois do confronto inicial, criminosos usaram drones para lançar explosivos contra equipes do 16º e do 17º Batalhões de Polícia Militar. Um veículo foi danificado.

A Avenida Brasil, principal via expressa da cidade, chegou a ficar bloqueada.

A ofensiva no Complexo de Israel ocorre poucos dias depois de a Polícia Federal mirar uma milícia que movimentou R$ 350 milhões na Baixada Fluminense, outra frente da política de segurança no estado do Rio.

Durante a manhã, um motorista de ônibus foi atingido por bala perdida na Parada de Lucas, também na zona norte do Rio. A PM não informou o estado de saúde da vítima.

O Complexo de Israel, que reúne as comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, já havia sido alvo de uma megaoperação em 10 de junho de 2025.

Naquela ação, a Polícia Civil prendeu 20 pessoas e apreendeu 8 fuzis e 2 pistolas, além de granadas e coquetéis molotov, depois de sete meses de investigação sobre o Terceiro Comando Puro (TCP), facção que domina a região.

A Avenida Brasil e a Linha Vermelha ficaram fechadas por cerca de 1h30 naquele dia, e quatro pessoas ficaram feridas.

As equipes do Batalhão de Policiamento de Vias Expressas (BPVE) confirmaram, ao fim da manhã, que o tráfego na Avenida Brasil e na Rodovia Washington Luiz já estava normalizado.

O padrão que se repete no Complexo de Israel

Catorze meses depois da megaoperação de junho de 2025, que prendeu 20 pessoas e apreendeu fuzis na mesma área, o Complexo de Israel voltou a ter tiroteio, barricadas incendiadas e uma via expressa bloqueada.

A recorrência mostra que prisões e apreensões pontuais não têm encerrado o controle armado da região pelo TCP, e reabre a pergunta sobre que tipo de presença policial sustentaria um resultado diferente depois que as tropas de operações especiais deixam a área.