Um terremoto atingiu a região de Ayacucho, no sul do Peru, na tarde desta quinta-feira (20) e foi sentido a mais de mil quilômetros de distância, no Acre. O prédio da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), em Rio Branco, foi evacuado por precaução.
O abalo ocorreu por volta das 13h, no horário local, com epicentro a 35 km ao norte da cidade de Coracora, na província de Parinacochas. Há divergência na magnitude entre institutos.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mediu magnitude 6,7, a 99 km de profundidade. Já o Instituto Geofísico do Peru (IGP) registrou magnitude 7,2, a 108 km de profundidade.
Um professor da Universidade Federal do Acre (Ufac) explicou que a grande profundidade do terremoto é o que permite às ondas sísmicas percorrerem distâncias tão longas, o que fez a vibração chegar ao território brasileiro.
Estragos do lado peruano
O tremor foi sentido nas regiões andinas de Ayacucho, Apurímac, Arequipa, Ica e Cusco, além da capital, Lima. Em Cusco, escolas evacuaram alunos e professores para áreas seguras.
Segundo balanço preliminar do Instituto Nacional de Defesa Civil do Peru (Indeci), pelo menos duas pessoas ficaram levemente feridas em Coracora, após caírem durante a evacuação.
O terremoto também causou danos materiais. Na província de Parinacochas, 12 residências e um posto de saúde foram afetados na localidade de Pullo.
Em Puquio, oito casas tiveram rachaduras. Três unidades de saúde em Ayacucho e um centro médico em Pichari também foram danificados, e o Hospital Regional de Cusco registrou problemas estruturais.
Não é a primeira vez este ano
Moradores do Acre já haviam sentido tremor vindo do Peru antes. Em 30 de julho, um terremoto de magnitude 5,6 com epicentro perto de Pucallpa, a cerca de 60 km do Acre, também foi percebido na fronteira, sem registro de danos.
A repetição expõe uma característica da região: a fronteira do Acre com o Peru fica sobre uma zona de atividade sísmica associada à cordilheira dos Andes, distante das falhas geológicas mais conhecidas do centro-sul do Brasil.
O que esses tremores repetidos perguntam
Nenhum dos abalos sentidos no Acre neste ano causou dano relatado no lado brasileiro.
Mas a repetição em poucas semanas deixa uma pergunta em aberto. Fica saber qual critério as autoridades locais usam para decidir quando evacuar um prédio público por precaução, e se esse protocolo é claro para quem trabalha ali.


























