A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial no domingo (16), para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas da companhia e mais nove subsidiárias. É a segunda vez que a rede busca proteção contra credores em pouco mais de dois anos, agora sob decisão da Justiça, não mais por acordo direto.

O pedido veio dias depois de a empresa divulgar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre maio e junho, 18 vezes maior que no mesmo período do ano passado.

A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, proibiu mais de 28 mil credores de rescindir contratos automaticamente só por causa do pedido. Fornecedores precisam manter as entregas já em trânsito.

Entre 13 e 14 de agosto, o grupo fechou 298 lojas, 28,6% das 1.042 unidades que tinha no fim de 2025, e demitiu entre 1.900 e 3.000 pessoas, segundo estimativas do setor.

A recuperação judicial também cobre nove empresas do grupo, entre elas a Cnova, de comércio eletrônico, e a Bartira, fábrica de móveis. O diretor jurídico Fábio Spina e dois conselheiros deixaram os cargos depois do pedido.

Em nota, a empresa atribuiu a crise ao cenário macroeconômico, com juros altos, crédito mais caro e menos fôlego para financiar estoque e capital de giro.

Por que a 1ª tentativa de salvar a empresa não bastou

Pouco mais de dois anos atrás, a Casas Bahia já tinha renegociado bilhões em dívida numa recuperação extrajudicial, acordo direto com credores que evita o processo na Justiça. A operação melhorou, mas não rápido o suficiente para aliviar o peso da dívida.

Analistas apontam três fragilidades por trás da nova crise. A primeira é de gestão. A sucessão da família Klein e as trocas de controle não deram à empresa uma estratégia de continuidade.

A segunda é o custo do dinheiro. Com os juros básicos altos, financiar estoque fica mais caro, e o consumidor de renda menor perde poder de compra para móveis e eletrodomésticos parcelados.

A terceira é o modelo de negócio, atrasado frente ao comércio eletrônico, que tomou espaço da loja física nos últimos anos.

A operação segue funcionando normalmente enquanto o processo corre na Justiça, com lojas físicas e canais digitais abertos.

O que decide se a Casas Bahia sobrevive

A recuperação judicial resolve o passivo no papel, mas não resolve sozinha o modelo de negócio.

A pergunta que fica é se a empresa vai usar esse fôlego jurídico para mudar a gestão e a operação, ou se, daqui a mais dois anos, o roteiro se repete.