A segurança pública ganhou um ponto concreto de disputa na corrida ao governo de Minas Gerais. O tema são as câmeras corporais na Polícia Militar e o reconhecimento facial nas ruas. Cinco dos onze candidatos já apresentaram propostas diferentes sobre o tema, que já rendeu recuo público de um deles.
O candidato Flávio Roscoe (PL) defende a medida mais ambiciosa. "O estado poderia botar tranquilamente 100 a 200 mil câmeras de reconhecimento facial em pontos estratégicos", disse, argumentando que o equipamento aumentaria o risco para quem tem mandado de prisão ou ficha criminal em aberto.
Sobre as câmeras corporais que os próprios policiais usam no uniforme, porém, Roscoe é mais cauteloso. Para ele, o equipamento é "proteção para o agente", mas não precisa ficar ligado 24 horas por dia.
Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder nas pesquisas, chegou a prometer eliminar o uso de câmeras corporais na PM. Depois de pressão de adversários e de entidades de segurança, mudou de posição e passou a defender que todos os agentes públicos usem o equipamento.
Patrus Ananias (PT) defende um caminho gradual, com implementação progressiva da tecnologia, unidades especializadas e protocolos de uso e proteção de dados. Gabriel Azevedo (MDB) vai além. Ele quer gravação automática e ininterrupta durante o serviço, com acesso auditável e armazenamento seguro.
Alexandre Kalil (PDT) é o mais reticente entre os cinco. "Antes de olhar detalhes: 'vai por ou não câmera'. Nós precisamos de faxineira, precisamos de gasolina, ter arma, treinamento, que foi suspenso em 2025", disse, ao listar outras urgências da corporação.
Hoje, a PM mineira tem cerca de 1.000 câmeras corporais adquiridas com recursos próprios, mais 600 compradas via Funemp, o fundo estadual de segurança. O investimento somado passa de R$ 6,4 milhões.
O discurso genérico de "mais segurança" domina a campanha ao governo de MG.
O tema das câmeras foge dessa regra, porque obriga cada candidato a assumir um número, um prazo ou uma regra concreta. É um dos poucos pontos em que a disputa sai do slogan e vira proposta que pode ser cobrada depois da eleição.
O debate ocorre no mesmo ambiente em que os candidatos já divergem sobre como pagar a dívida do estado e enfrentam cobranças por ausências em debates ao governo mineiro.
Segurança pública já havia rendido outro embate na campanha, quando o feminicídio virou tema central de um debate ao governo.
O que acontece agora
A eleição em Minas Gerais está marcada para 4 de outubro. Até lá, a expectativa é que novos debates aprofundem as propostas de segurança pública, incluindo o financiamento das câmeras e o uso de reconhecimento facial.















































































































