Físicos do experimento LUX-ZEPLIN (LZ), no Laboratório Sanford, nos Estados Unidos, registraram um sinal de partícula compatível com matéria escura. O achado foi apresentado nesta terça-feira (1º) na conferência TeV Particle Astrophysics, no Japão, e tem apenas 0,5% de chance de ser ruído de fundo, segundo a equipe.
O sinal foi captado em 16 de junho de 2023, dentro de uma janela de 220 dias de dados analisados entre março de 2023 e abril de 2024. Segundo o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, é o indício mais forte já registrado pelo experimento.
Ainda assim, o resultado não cruza o patamar estatístico que os físicos exigem para cravar uma descoberta. É essa combinação, sinal raro mas não conclusivo, que explica por que a equipe fala em indício, não em descoberta confirmada.
A partícula candidata é uma WIMP, sigla em inglês para partícula massiva de interação fraca, um dos principais modelos que tentam explicar a matéria escura. A massa estimada é de pelo menos 200 vezes a de um próton.
Quando uma WIMP atinge o núcleo de um átomo de xenônio, ela pode produzir um clarão de luz ultravioleta e um pequeno deslocamento do núcleo, batizado de recuo nuclear. Foi um evento desse tipo que o detector registrou.
"Não estamos afirmando que vimos matéria escura", disse o físico Rick Gaitskell, da Universidade Brown, um dos responsáveis pelo experimento.
Onde fica o experimento
O LZ funciona dentro do Laboratório Sanford, 1,6 km abaixo da superfície, numa antiga mina de ouro em Lead, na Dakota do Sul. O detector usa 10 toneladas de xenônio líquido para captar eventuais colisões de partículas.
A física de partículas tem tido uma semana movimentada. A Nasa lançou o telescópio Nancy Grace Roman, com campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble.
Cientistas brasileiros também desenvolveram um sistema de inteligência artificial para outro telescópio da Nasa, batizado Arandu, em parceria com o CBPF.
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O sinal do LZ se soma a outras descobertas recentes na ciência básica. É o caso das pegadas de 130 milhões de anos que revelaram o maior mamífero do período Cretáceo, achado que também dependeu de anos de análise para virar anúncio público.
O que acontece agora
A equipe do LZ vai submeter um artigo científico à revista Physical Review Letters, com publicação também prevista no repositório online arXiv.
Só uma nova rodada de dados, com mais eventos como esse, pode confirmar se o sinal é mesmo matéria escura.


























