As exportações brasileiras de gado vivo bateram recorde de preço em julho: US$ 1.516,66 por cabeça, o maior valor da série histórica. Entre janeiro e julho, o país vendeu ao exterior 743,7 mil bovinos, alta de 30,3% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Secex.
O preço já vinha subindo: em maio, a cabeça de gado exportada custava, em média, US$ 1.065,73; em junho, US$ 1.345,27. Por quilo, o valor médio passou de US$ 2,17 em julho de 2025 para US$ 3,27 agora.
A receita acumulada no ano chegou a US$ 932,3 milhões entre janeiro e julho, 74% acima dos US$ 535,9 milhões do mesmo período de 2025. É o maior volume para o intervalo desde 1997.
Por que o Brasil vendeu menos boi, mas faturou mais
O recorde não veio de mais gado embarcado. Em julho, o volume em toneladas ficou abaixo do mesmo mês de 2025. O Brasil exportou menos gado vivo, mas faturou mais porque o preço subiu bem mais rápido do que o volume caiu.
Parte do fluxo de comércio também mudou de rota. Cotas mais apertadas para embarcar carne bovina industrializada para a China empurraram parte do negócio para o gado vivo, que segue aquecido e concorre pelo mesmo boi que abastece o mercado interno.
Quem compra e de onde sai o boi
Turquia e Marrocos lideram os destinos, com 43,6% e 40,2% das compras de julho, seguidos por Iraque, Líbano e Egito. Quase todos são países de maioria muçulmana: a preferência pelo animal vivo está ligada ao abate halal, que muitos exigem ser feito localmente, segundo o rito islâmico.
O Pará é hoje o principal estado exportador, com 54,6% dos embarques de julho, à frente de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
O que vem por aí
Mantido o ritmo dos últimos quatro meses, a Scot Consultoria projeta o Brasil fechando 2026 perto de 1,26 milhão de cabeças exportadas, ante 1,05 milhão no recorde de 2025. Se a projeção se confirmar, 2026 fecha com mais gado embarcado e preço ainda mais alto.


























