A Globo demitiu, no início da noite desta quinta-feira (3), o executivo Manuel Belmar, responsável por finanças, produtos digitais, jurídico e infraestrutura da emissora. É a maior reformulação na direção da Globo em uma década, e a causa é a decisão de abrir mão do pacote completo de transmissão da Copa do Mundo de 2026.
Segundo apuração da revista Veja e fontes internas da emissora, saem também Manuel Falcão, diretor de Marca e Comunicação Institucional, e Pedro Garcia, diretor de Direitos Esportivos, que ao lado de Belmar assinou a decisão de não fechar a compra integral dos jogos do Mundial.
O resultado prático: a CazéTV, canal digital, ficou com a exclusividade de mais de 50 partidas e deteve os direitos de transmissão de todos os 104 jogos da competição. Globo e SBT dividiram entre si o que sobrou do pacote de TV aberta e paga.
A aposta que Belmar defendeu em público
Antes da Copa começar, em 30 de junho, Belmar defendeu a estratégia publicamente. "O grande desafio hoje é conciliar duas realidades: a escalada do custo dos direitos e a estratégia para capturar a atenção do espectador, que está fragmentada entre tantas ofertas", disse.
Ele foi além: "o investimento não termina na compra dos direitos. Ele só começa ali." Belmar citou que a TV aberta havia capturado 90% de toda a audiência da Copa e chamou de erro comum "confundir comunicação de massa com a soma de nichos".
A tese não resistiu ao resultado: a própria Globo reconheceu depois que errou ao não comprar o pacote integral. O executivo que a defendeu em público foi um dos primeiros a sair quando a conta fechou no vermelho.
O que muda daqui para a frente
O caso acontece num momento em que a briga pela atenção do espectador brasileiro já vinha mudando de figura. Em agosto, a TV Sim Brasil mostrou por que a própria Netflix caiu para o 3º lugar do streaming no país.
É sinal de que a fragmentação que Belmar citava também bate à porta dos concorrentes, não só da Globo.
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Para a Copa de 2030, a Fifa já sinaliza uma mudança de modelo: vender o pacote de jogos sem exclusividade a um canal só.
A ideia é dividir a transmissão entre emissoras, como fará na Copa Feminina de 2027, em vez de conceder monopólio a uma delas.
O ponto em aberto
Se a Fifa realmente adotar a venda sem exclusividade em 2030, a decisão que custou o cargo de três diretores da Globo pode deixar de fazer sentido. Não vai mais existir pacote completo para comprar, nem para recusar.


























