O PT, o PSOL e a Rede protocolaram nesta quarta-feira (2) uma representação no Conselho de Ética do Senado pedindo a cassação do mandato do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os partidos alegam quebra de decoro parlamentar por causa de versões contraditórias sobre o financiamento do filme "Dark Horse" pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a representação, o senador negou inicialmente qualquer negociação com Vorcaro para bancar a cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois de um áudio revelar que ele pediu R$ 134 milhões ao banqueiro, Flávio mudou a versão e passou a falar em financiamento privado.
O PT também acusa o senador de mentir em entrevista à GloboNews, em maio, ao negar que soubesse da origem dos repasses de Vorcaro ao filme.
Em resposta pública ao caso, Flávio Bolsonaro minimizou a relação com o banqueiro. "Não há absolutamente nada de errado em buscar financiamento para um filme sobre meu próprio pai", disse o senador. "Não houve contrapartida, nada irregular", completou.
Ele classifica o acordo como uma relação privada, com recursos de um fundo também privado.
O presidente do colegiado, senador Jayme Campos (União Brasil-MT), vai avaliar se o pedido cumpre os requisitos formais (prazo, qualidade das provas e argumentação) antes de decidir se o admite como representação oficial.
Aceito o pedido, o rito do Conselho de Ética prevê relatoria, defesa do senador e votação final em plenário. O desfecho dessa votação pode custar o mandato de Flávio Bolsonaro.
O episódio é o mais recente capítulo do caso Dark Horse. Em agosto, a deputada Teresa Leitão havia acionado a PF e a PGR sobre o financiamento do filme. Na sequência, o ministro Flávio Dino autorizou a PF a acessar dados da produtora do projeto.
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A pressão sobre o entorno de Vorcaro também cresceu depois que o banqueiro fechou delação com a PGR ligando-o a R$ 65 milhões repassados ao Dark Horse. A oposição cita esse valor como parte da base do pedido de cassação.
O caso chega ao Senado num momento de disputa presidencial acirrada, com Flávio Bolsonaro entre os nomes mais competitivos do campo bolsonarista nas pesquisas mais recentes. O cenário eleitoral aumenta o peso político de qualquer decisão do colegiado.
O que acontece agora
O Conselho de Ética ainda não marcou data para julgar a admissibilidade do pedido apresentado por PT, PSOL e Rede. A partir daí, o calendário do rito fica nas mãos de Jayme Campos.


























