O governo Lula anunciou nesta quinta-feira (3) que "zerou" a fila do INSS, cerca de oito meses depois de o país acumular perto de 3 milhões de pedidos em aberto. Na prática, 224 mil segurados ainda esperam resposta por mais de 45 dias, o prazo que a lei considera normal.
O anúncio foi feito por Lula em evento no Palácio do Planalto. "O atraso de 45 dias seria de apenas 251 mil pessoas, o que é normal", disse o presidente, cumprindo promessa de campanha feita em 2022.
Para o Ministério da Previdência, a fila é considerada zerada quando entram menos pedidos novos do que os que já estão sendo resolvidos. Não significa fila em zero, e sim fluxo equilibrado entre entrada e resolução de pedidos.
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, atribui os pedidos atrasados a casos mais complexos, ligados sobretudo ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). Segundo ele, grupos de trabalho específicos tratam dessas demandas.
Em agosto, segundo o ministério, entraram 1,394 milhão de pedidos novos e havia 1,252 milhão pendentes no mês. O tempo médio de decisão caiu para 34 dias, 11 a menos que o prazo legal.
Nem todo pedido pendente é considerado atrasado. Dos 1,252 milhão de processos em análise no mês, a maior parte está dentro do prazo normal de 45 dias; passam desse limite apenas os 224 mil que entram na conta de quem ainda espera resposta.
As reclamações na ouvidoria também recuaram no período. Caíram de 15.519 em fevereiro para 2.570 em agosto, queda de 82%.
O ministro credita parte do atraso ao próprio avanço do programa. "As pessoas se sentem estimuladas a pedir mais, já que é um governo que sabe conceder direitos a quem merece direitos", disse Queiroz. Os pedidos mensais cresceram 40% ao longo do governo Lula.
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A melhora vem sendo registrada desde o fim de agosto, quando a fila de pedidos do INSS já registrava queda de 59% no ano.
O que fica em aberto
"Zerada" e "224 mil pessoas esperando" descrevem a mesma fila por ângulos diferentes. Um mede o fluxo de entrada e saída de pedidos, o outro mede quem ainda aguarda resposta.
O anúncio chega às vésperas das eleições de 2026, cenário que aumenta o peso político de qualquer leitura desse número.


























