O Banco Central liquidou o Banco Master em 18 de novembro de 2025, um dia depois de a Polícia Federal prender seu controlador, Daniel Vorcaro, em São Paulo. Dez meses depois, o caso derrubou a versão oficial de dois políticos e abriu uma crise sem precedentes dentro do próprio STF.
A liquidação do Master e do Will Bank, do mesmo grupo, deixou um rombo de cerca de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos.
Com a liquidação posterior do Banco Pleno, também ligado a Vorcaro, o custo total subiu para R$ 56 bilhões, o maior rombo bancário da história do país.
Antes de quebrar, o banco vinha driblando exigências do Banco Central desde fevereiro de 2025 e chegou a negociar a venda ao BRB, negócio que o próprio BC barrou em setembro daquele ano.
É desse dinheiro que nasce o capítulo político do caso. O senador Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro cerca de R$ 134 milhões para financiar o Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Segundo apurações, o banqueiro chegou a liberar ao menos R$ 61 milhões para o projeto.
Parte desse dinheiro passou por um fundo chamado Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, que mora no país. A produtora do filme, a GOUP Entertainment, nega ter recebido qualquer valor de Vorcaro.
O deputado Nikolas Ferreira é outro nome que apareceu nos áudios do banqueiro. Ele confirmou ter pedido ajuda a Vorcaro para liberar um ativo de mineração de um ex-assessor, mas nega ter recebido dinheiro.
Flávio Bolsonaro também nega irregularidade. Diz que a relação com Vorcaro foi privada, sem contrapartida pública. Mesmo assim, o PT, o PSOL e a Rede já pediram sua cassação por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado.
Enquanto isso, o STF vive um capítulo raro. Um ministro da própria Corte, André Mendonça, autorizou a Polícia Federal a investigar o rastro do dinheiro do Dark Horse.
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O problema é que um instituto fundado por ele mesmo faturou R$ 10,8 milhões em contratos públicos sem licitação, o que levou deputados a pedir sua suspeição no caso.
A crise ficou grande demais para ficar só entre bastidores. O ministro Edson Fachin deu prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça e a própria PF expliquem o que está acontecendo dentro do tribunal.
O que fica em aberto
Um ano depois da liquidação, o caso Banco Master não fechou nenhuma ponta. Não está claro quem, na política, usou o banco como caixa. Também não está claro até onde vai a disputa dentro do STF em torno de quem investiga quem.




































