A dívida de R$ 187 bilhões de Minas Gerais com a União se tornou o principal ponto de divergência entre os candidatos ao governo do estado. Mateus Simões (PSD), Alexandre Kalil (PDT), Flávio Roscoe (PL), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Patrus Ananias (PT) discordam sobre como lidar com o acordo firmado em dezembro para renegociar o débito.
O estado começou o ano com caixa líquido negativo em mais de R$ 11 bilhões e projeta déficit de R$ 5 bilhões para 2026.
Entre dezembro de 2022 e o início deste ano, Minas suspendeu R$ 34,3 bilhões em pagamentos à União por decisões liminares do STF. Em fevereiro, a Secretaria de Estado da Fazenda enviou ao Tesouro Nacional o relatório que confirma o valor da dívida.
O acordo em discussão é o Propag, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados. Ele prevê abatimento de 20% do saldo devedor e parcelamento do restante em até 30 anos, com juros zerados e correção pela inflação.
Em troca, o estado oferece ativos como garantia, incluindo a privatização da Copasa, companhia estadual de saneamento.
Simões defende as medidas adotadas por sua gestão. "Agiota oficial", disse o governador sobre o governo federal, que cobra segundo ele cerca de R$ 500 milhões por mês em juros da dívida mineira.
Kalil vê o mesmo acordo por um ângulo oposto. Ele classifica o Propag como "termos para alongar uma dívida impagável" e promete revisar o acordo junto ao Congresso caso seja eleito.
Roscoe argumenta que o programa não resolve o descasamento estrutural do orçamento mineiro. Propõe reduzir despesas com pessoal e criar um comitê fiscal independente para acompanhar as contas do estado.
Cleitinho defende atuação firme para renegociar a dívida, sem detalhar ainda os termos que buscaria. Ele propõe também a criação de um fundo de retorno para investimentos em logística no estado.
Patrus, por sua vez, quer prorrogar de 5 para 10 anos o prazo de início da cobrança prevista no Propag.
Ele prioriza manter o controle estatal de empresas públicas estratégicas, posição que já colocou o petista em rota de colisão com Kalil sobre o voto de Patrus a favor da privatização da Copasa no Congresso.
A disputa em torno da dívida já havia aparecido no primeiro debate entre os candidatos ao governo de Minas, promovido pela TMC. A pesquisa mais recente, feita antes desse debate, apontava Cleitinho na frente, num cenário com alta proporção de eleitores indecisos.
O que acontece agora
O primeiro turno das eleições em Minas Gerais é em 4 de outubro, com segundo turno previsto para 25 de outubro caso nenhum candidato alcance maioria dos votos válidos. Quem vencer assume a gestão do acordo com a União a partir de 2027.








































































































