O pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, defendeu em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (4) dividir a Petrobras em até cinco empresas menores, uma por região ou atividade, caso seja eleito em outubro. A proposta é o carro-chefe do seu plano de privatização de estatais.

"O que eu quero é competição, quero fatiar a Petrobras em 3, 5, 5 empresas para que o consumidor seja beneficiado", disse Zema. Para o pré-candidato, a divisão criaria operadores independentes disputando espaço no mercado de combustíveis.

"Toda empresa que dá resultado vale muito mais do que uma empresa que dá prejuízo", afirmou, ao comparar o setor petrolífero ao agronegócio: "o setor que mais tem ajudado a economia no Brasil não tem nada de estatal, é 100% privado".

Zema também defendeu um caminho alternativo à venda integral, transformar a companhia numa corporation com a União como sócia sem poder de decisão. "Pode receber os dividendos, transformar a Petrobras em uma corporation", disse, sem fazer a gestão da estatal, que hoje classifica como palco de "politicagem".

Hoje a União e o BNDES somam 36,6% do capital total da Petrobras, com 50,3% das ações com direito a voto, bem abaixo dos cerca de 82% que o Estado chegou a controlar até o fim dos anos 1990.

O modelo, segundo Zema, replica o que ele diz ter feito à frente do governo de Minas Gerais: "durante a minha gestão, nós vendemos participações ou privatizamos 118 empresas. A única que ficou faltando foi a Companhia Energética de Minas Gerais, a Cemig".

A proposta encontra resistência organizada. Em 2023, o governo Lula retirou a Petrobras, os Correios e outras estatais dos planos de desestatização herdados da gestão anterior. Trabalhadores da categoria, reunidos na Federação Única dos Petroleiros (FUP), defendem o caminho oposto, com mais participação do Estado na empresa em vez de menos, e já sinalizam levar o tema ao debate da campanha de 2026.

A pauta chega à corrida presidencial num momento em que o 2º turno segue polarizado entre Lula e Flávio Bolsonaro, segundo pesquisas recentes. Zema aparece com 1% das intenções de voto no levantamento Quaest de 2 de setembro, ante 2% em agosto. É um discurso de nicho que tenta se diferenciar pela agenda liberal.

O debate sobre o controle da estatal ganhou outra frente nesta semana. O Ibama autorizou a Petrobras a perfurar três novos poços na Foz do Amazonas, decisão que reforça a aposta do Planalto em expandir a produção estatal em vez de reduzi-la.

Para o mercado, a diferença entre os dois modelos é concreta. Um sinaliza mais óleo sob controle público; o outro aposta na fragmentação para atrair capital privado.