O preço do boi gordo acumula o sétimo dia seguido de alta, e o contrato futuro na B3 para janeiro de 2027 chegou a R$ 379,90 por arroba nesta semana, segundo a Datagro. O movimento ocorre mesmo com a China perto de esgotar a cota de importação e a União Europeia suspendendo a carne brasileira.
Nesta semana, a arroba física foi negociada a R$ 341,00 em São Paulo, R$ 336,00 no Mato Grosso do Sul, R$ 343,00 no Rio de Janeiro e R$ 333,00 em Minas Gerais. O futuro na B3 está cerca de R$ 30 acima do físico.
O ágio do bezerro, que mede quanto o produtor paga a mais para repor o animal, chegou a 41,3% em agosto. É um sinal de que o gado pronto para abate está cada vez mais escasso.
Por que a arroba está subindo
Dados da Scot Consultoria mostram o início de uma retenção mais consistente de fêmeas no campo, movimento típico de virada do ciclo pecuário. O produtor guarda a fêmea para reproduzir em vez de vender para abate, apostando em preços melhores à frente.
Registros do Serviço de Inspeção Federal já somam sete meses seguidos de queda no abate de fêmeas. Com menos fêmeas indo para o frigorífico, o boi pronto para entrega imediata fica mais raro e mais caro.
A arroba sobe por falta de gado pronto no Brasil, não por causa da exportação. É aí que mora o contraste com o que acontece lá fora.
A China, maior compradora da carne, já usou 90% da cota de 2026, como a TV Sim Brasil mostrou em agosto. Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou: "o Brasil foi contemplado com a maior cota, de 1,106 milhão de toneladas".
Passado esse limite, o volume extra paga sobretaxa de 55%, somada à tarifa de 12% e ao imposto interno chinês de 9%.
A União Europeia também suspendeu a compra de carne bovina do Brasil desde 3 de setembro, sob a alegação de que o país não comprovou controle sobre antibióticos na criação animal.
Com dois mercados travando ao mesmo tempo, a exportação perdeu ritmo: em julho, as vendas externas somaram US$ 1,4 bilhão, queda de 21% frente a junho — mesmo com o Brasil faturando recorde ao exportar boi vivo por outras vias.
Assine o Resumo do dia e receba de segunda a sábado, no seu e-mail, as notícias que você não pode perder.
Sem spam — você pode cancelar quando quiser.
Foi isso, paradoxalmente, que aliviou o preço na ponta do consumidor: com menos carne saindo para fora, sobrou mais carne dentro do país. Cortes como acém, alcatra e coxão mole recuaram nos supermercados de São Paulo em julho, segundo o índice da Apas.
No campo, a arroba sobe. Na gôndola, alguns cortes cederam. Em abril, a alta acumulada da carne bovina no ano já somava 26%, o que empurrou parte do consumidor para o frango e para cortes mais baratos.
O que acontece agora
Analistas do setor apontam que, no ritmo atual de embarques, a cota chinesa pode se esgotar antes do fim de 2026. Isso empurra mais carne para o mercado interno e aperta a margem do frigorífico, entre o boi caro e o comprador externo mais escasso.


























