Os candidatos ao governo de Minas Gerais divergem sobre como enfrentar o feminicídio e o avanço de facções no estado, temas centrais do primeiro debate da campanha, promovido pela Band em 16 de agosto. Minas registrou 177 feminicídios em 2025, alta de 4,4% em relação a 2024.

Mateus Simões (PSD), atual governador, cobrou Alexandre Kalil (PDT) por uma declaração anterior em que o ex-prefeito de Belo Horizonte teria dito que o combate à violência doméstica não seria responsabilidade do governo estadual.

Kalil rebateu questionando se Simões "vivia em Nárnia" ou "em outro planeta", e disse que "a segurança pública é uma atribuição direta do Palácio Tiradentes". O ex-prefeito também criticou o que chamou de sucateamento das forças policiais, citando delegacias em situação precária.

Cleitinho Azevedo (Republicanos) defendeu o fortalecimento das polícias Civil, Penal e Militar, com foco em inteligência para enfrentar o avanço das facções no interior de Minas. Ele também prometeu retirar as câmeras corporais da Polícia Militar: "Polícia não vai usar câmera. Quem tem que usar câmera são os fiscais do Estado que vêm humilhando o trabalhador mineiro".

A proposta gerou críticas de seguidores nas redes sociais.

Gabriel Azevedo (MDB) defendeu a valorização dos policiais civis e militares, incluindo reajuste salarial. Patrus Ananias (PT), que não compareceu ao debate por estar em agenda em São Paulo, disse que pretende tomar "medidas rigorosas para combater o crime organizado".

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Minas Gerais registrou 177 feminicídios em 2025, ante 169 em 2024, alta de 4,4%. Os feminicídios já representam 57,8% dos homicídios de mulheres no estado, enquanto os homicídios femininos em geral caíram 12,9% no mesmo período.

A disputa pelo governo de MG é apertada: Datafolha divulgada nesta semana mostra Cleitinho na frente, com Patrus e Kalil tecnicamente empatados na sequência.