A Polícia Federal apura se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, usou influência no Palácio do Planalto para ajudar a lobista Roberta Luchsinger a fechar negócios no Maranhão. Mensagens anexadas ao inquérito mostram Roberta avisando, em 22 de maio de 2024, que o governador Carlos Brandão seria recebido por um chefe de gabinete da Presidência.
Segundo a mensagem de áudio enviada por Roberta a Lulinha, obtida por quebra de sigilo autorizada pela Justiça, o presidente teria determinado a continuidade da liberação de uma obra no estado.
Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete da Presidência, receberia Brandão às 16h daquele dia.
A agenda oficial do Planalto confirma o encontro.
O registro mostra Marcola reunido com Brandão em 22 de maio de 2024, às 17h40, ao lado de outros dois assessores presidenciais, sob a descrição genérica de Reunião Executiva, sem qualquer menção à lobista ou ao motivo real do encontro.
O que a PF investiga
O inquérito apura suspeita de tráfico de influência: usar a proximidade com uma autoridade para obter vantagem em negócio privado ou público. A Polícia Federal rastreou valores para sustentar a suspeita.
O empresário Cléber Ribas, dono da empresa 3Structure, pagou R$ 2,5 milhões a Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025 por serviços que a defesa dele chama de consultoria empresarial.
No mesmo período, a 3Structure fechou R$ 5,8 milhões em contratos com o governo do Maranhão.
A mesma empresa também venceu contratos de R$ 14,4 milhões e R$ 19,2 milhões com o Ministério do Desenvolvimento Social, e Roberta recebeu ainda R$ 4,4 milhões da HSLZ, empresa que administra o Hospital do Servidor Público do Maranhão, segundo a investigação.
Nenhum desses contratos é apontado, até aqui, como irregular por si só.
O governador Carlos Brandão nega qualquer relação com Roberta e diz que sua agenda oficial não depende de articulação de terceiros. A defesa de Cléber Ribas afirma que o serviço prestado pela lobista foi consultoria empresarial lícita.
Já a defesa de Lulinha diz que a divulgação das mensagens é um vazamento seletivo com o objetivo de interferir no processo eleitoral. Procurado, o Palácio do Planalto não comentou o caso.
A agenda oficial do Planalto registra apenas uma reunião executiva genérica. A mensagem da lobista, enviada horas antes, antecipa quem seria recebido, por quem e a que horas, descompasso que agora sustenta a suspeita de tráfico de influência apurada pela PF.



































