O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) declarou neste sábado (22), em Campinas (SP), ser a favor do fim da escala 6x1. Três dias antes, ele havia chamado a proposta de "eleitoreira". A mudança de posição ocorre no mesmo momento em que a PEC chega à Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Na quarta-feira (19), durante o 11º Fórum CNT de Debates, Caiado evitou apoiar a proposta e classificou o texto como "populista", "eleitoreira" e "de voto". Neste sábado, questionado diretamente sobre o tema em entrevista coletiva, respondeu apenas: "Sim, sou a favor".
O que muda com o fim da escala 6x1
A PEC 221/2019 reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais e garante dois dias de repouso remunerado, sem redução de salário.
A aplicação é progressiva. Em 60 dias após a promulgação, a jornada cai para 42 horas com dois dias de folga. Em 12 meses, chega a 40 horas.
A proposta preserva acordos e convenções coletivas, inclusive para regimes diferenciados como a escala 12x36, usada por hospitais e serviços de segurança. Foi aprovada na Câmara em 27 de maio, com primeira assinatura do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
A PEC ficou parada no Senado desde então. Na semana passada, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu liberar a tramitação e enviou o texto à CCJ, após conversas com o presidente Lula (PT).
O relator na comissão é o senador Omar Aziz (PSD-AM).
Para ser aprovada, a proposta precisa de pelo menos 49 votos em dois turnos no plenário do Senado, três quintos da Casa. A expectativa entre senadores é que a votação final avance só depois das eleições de outubro.
Quem resiste à mudança
A proposta enfrenta resistência de setores empresariais, sobretudo do comércio e de serviços, que temem aumento de custo com a jornada menor.
Do outro lado, entidades ligadas a trabalhadores pressionaram nas ruas e nas redes pela liberação do texto, um dos fatores que antecederam a decisão de Alcolumbre.
Em Campinas, Caiado também criticou adversários ausentes de debates eleitorais, sem citar nomes, chamando-os de "fujões". Disse estar otimista para o debate da TV Band, marcado para domingo (23).
Sobre a polarização política, classificou o cenário como uma "briga inútil" e afirmou que o país "caminhou pela mediocridade" nos últimos anos.



































