O Brasil deve colher 360,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, recorde histórico, segundo boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado em 13 de agosto. Apesar do volume maior, o produtor vai faturar menos.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) projeta Valor Bruto da Produção agropecuária de R$ 1,398 trilhão em 2026, uma queda de R$ 66 bilhões, ou 4,5%, sobre os R$ 1,464 trilhão de 2025.
Por que a receita cai com a safra recorde?
Segundo o Mapa, a queda está associada ao preço menor esperado para as commodities agrícolas e à desaceleração da produtividade das lavouras. Na prática, o produtor colheu mais, mas recebeu menos por tonelada.
As lavouras devem responder por R$ 893,3 bilhões do total em 2026, retração de 6% frente ao ano anterior. A soja, principal componente do valor agrícola, deve gerar receita estável de R$ 336 bilhões, enquanto o milho projeta queda de 6,6%, para R$ 158,4 bilhões.
Quais culturas perdem mais receita?
O tombo é maior em produtos específicos: o valor do cacau deve cair 57%, o da laranja 41,8% e o do trigo 25,4%. Café e cana-de-açúcar recuam de forma mais moderada, 11,6% e 8,8%, respectivamente.
O crescimento da produção, por sua vez, veio da expansão da área plantada, estimada pela Conab em 83,5 milhões de hectares, alta de 2,1%.
A produtividade média das lavouras ficou em 4.322 kg por hectare, praticamente estável em relação à safra anterior. Em volume, a soja deve chegar a 180,5 milhões de toneladas e o milho a 143 milhões de toneladas.
A pecuária responde pelos outros R$ 504 bilhões do Valor Bruto da Produção projetado para 2026, cerca de 36% do total. O detalhamento por categoria animal ainda não foi divulgado no boletim mais recente do Mapa.


























