O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e o Itamaraty vão se reunir com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na próxima semana para retomar as negociações comerciais com o Brasil. O contato partiu do representante americano Jamieson Greer, um dia após ligação entre Lula e Trump.

A data exata do encontro ainda não foi fechada pelas equipes dos dois países, segundo o Mdic.

A conversa telefônica entre os presidentes durou 1 hora e 20 minutos na sexta-feira (21). Tratou, entre outros temas, da disputa comercial aberta pelas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O que os EUA alegam para taxar o Brasil?

O governo americano justifica a sobretaxa com uma lista de queixas que inclui desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, o sistema de pagamentos Pix, o etanol brasileiro e importações associadas a trabalho forçado.

Segundo o Itamaraty, Lula afirmou a Trump que essas justificativas são infundadas e defendeu a volta ao diálogo comercial entre os dois países.

Na mesma ligação, ao tratar de conflitos internacionais, Lula disse a Trump: "os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos".

Como a indústria brasileira reagiu ao tarifaço?

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a condução do processo pelo governo brasileiro. Em nota, a entidade afirmou que "a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática".

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a medida amplia a insegurança para empresas dos dois países.

As exportações brasileiras para o mercado americano caíram 13% desde 2025, equivalente a US$ 2,6 bilhões, na avaliação de entidades do setor produtivo. Entre os itens mais afetados pela sobretaxa estão etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel e aço.

Parte dos grandes exportadores consultados por veículos especializados vê a resposta do governo brasileiro com ceticismo. Avaliam que ela dificilmente funcionará como instrumento de pressão eficaz sobre Washington antes da reunião da próxima semana.

O telefonema entre os dois presidentes foi o primeiro contato direto desde o agravamento da disputa tarifária.

O que fica em aberto

O Mdic não divulgou data, horário nem pauta detalhada para o encontro com o USTR. Até lá, a sobretaxa que motivou a ligação entre Lula e Trump continua em vigor sobre os produtos brasileiros.