O Datafolha ouviu 2.058 eleitores em todo o país entre os dias 18 e 20 de agosto e mostra a disputa presidencial rachada por região. No Nordeste, Lula tem 53% contra 25% de Flávio Bolsonaro, folga de 28 pontos. Nas outras três macrorregiões do levantamento, é o senador quem aparece à frente, por margens bem mais curtas.
No Sudeste, o placar é 36% a 33% para Flávio Bolsonaro. No Sul, 38% a 33%. Em Centro-Oeste e Norte, agrupados numa única amostra pelo instituto, 35% a 33%.
A pesquisa foi contratada pela Globo e pela Folha de S.Paulo. Tem registro BR-04496/2026 no TSE, margem de erro que varia por segmento e nível de confiança de 95%.
Fora do Nordeste, a diferença está dentro ou perto da margem de erro.
Por que o resto do país quase empata?
Candidatos regionais tiram votos de Flávio Bolsonaro sem ameaçar a liderança dele fora do Nordeste. Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, fica com 5% no Sudeste.
Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás, soma 8% no Sul e chega a 14% em Centro-Oeste e Norte, sua base. Renan Santos (Missão) oscila entre 3% e 5% nas quatro macrorregiões.
O recorte por posicionamento político expõe o mesmo desenho. Entre eleitores de esquerda, Lula tem 80% e Flávio Bolsonaro, 6%. Entre os de direita, a proporção quase se espelha, com 75% a 4% para o senador.
No centro, fatia menor, Flávio Bolsonaro passa à frente, 21% a 19%, com Renan Santos e Caiado somando outros 19% ali.
O que os números por estado confirmam
O padrão se repete nas pesquisas estaduais que o Datafolha divulgou no mesmo pacote, cada uma com ficha técnica própria. Em São Paulo, Flávio Bolsonaro tem 37% e Lula, 33%, com 1.610 entrevistados ouvidos entre 18 e 21 de agosto.
No Rio de Janeiro, 41% a 36%. No Distrito Federal, 39% a 31%, com Caiado em 10%.
Minas Gerais é a exceção fora do Nordeste. Lula lidera com 37% contra 31%, cenário em que Zema, mineiro, tira 10% do senador no próprio estado dele.
Em Pernambuco, Lula tem 56% e Flávio Bolsonaro, 24%. No Piauí, onde o mesmo instituto também mediu a disputa ao governo, a distância é a maior do levantamento, 60% a 19%.
Em Pernambuco, foram 1.204 entrevistados entre 18 e 20 de agosto. No Piauí, 826, entre 18 e 21 de agosto. As duas têm margem de três pontos percentuais e confiança de 95%.
Em nenhum recorte estadual ou regional um dos dois nomes chega perto de vencer sozinho em primeiro turno.
A radiografia por região ajuda a entender por que Lula e Flávio Bolsonaro fizeram atos de campanha simultâneos no Rio de Janeiro na mesma semana.
É no eixo Rio-São Paulo-Brasília que a disputa está mais acirrada, e onde cada ponto percentual pesa mais na conta nacional.
O ponto em aberto
O Datafolha retrata quatro eleições dentro de uma só. Um Nordeste com folga favorável a Lula e um Centro-Sul do país ainda dividido por poucos pontos, a quase dois meses da votação de outubro.
Fica a pergunta de quanto dessa distância vem de identificação regional direta com Lula e quanto é resposta a Zema e Caiado, que dividem parte do eleitorado de direita fora do Nordeste, segundo o mesmo levantamento.





































