O Boletim Focus, do Banco Central, manteve nesta segunda-feira (31) a projeção da Selic em 13,75% ao ano para o fim de 2026, estável pela quarta semana seguida. A inflação teve leve recuo, mas o levantamento foi fechado antes da alta do petróleo desta semana.

A mediana do mercado para o IPCA de 2026 caiu de 5,02% para 5,01%, e a projeção do PIB recuou de 1,95% para 1,92%.

Para 2027, a inflação subiu de 4,25% para 4,28%. O câmbio segue projetado em R$ 5,20 para o fim deste ano.

Por que os números não sobem junto com o petróleo

A resposta está no calendário. A pesquisa que gera o Focus fecha na sexta-feira anterior à divulgação, e o novo ataque dos Estados Unidos ao Irã só elevou o barril de petróleo nesta segunda.

Ou seja, o choque mais recente ainda não aparece nos números que o mercado acabou de divulgar.

Antes disso, o petróleo e o dólar já vinham pressionando o câmbio. Analistas apontam os dois como os principais vetores de risco do cenário.

A avaliação nas casas de análise é que esse ambiente externo deteriorado deve manter o Banco Central mais conservador por mais tempo, adiando qualquer corte adicional de juros.

A acomodação da Selic, aliás, já vinha de antes do choque desta semana. Um mês atrás, em 24 de julho, o mercado projetava Selic de 14% para o fim de 2026.

Em 24 de agosto, a mediana já estava nos atuais 13,75%, patamar mantido desde então.

O dado mais estável do boletim

Olhando mais à frente, a projeção de Selic para o fim de 2029 está em 10%, estável pela 17ª semana consecutiva. É quase quatro meses sem nenhuma mudança.

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É o sinal mais forte de que o mercado não vê motivo para alterar sua leitura de longo prazo, mesmo com a volatilidade recente. A trajetória segue a mesma lógica de descompressão gradual: 12% em 2027, 10,5% em 2028 e 10% em 2029.

O ponto em aberto

O teste real do Focus vem no próximo boletim, o primeiro a incorporar de fato a escalada entre Estados Unidos e Irã.

Considerado o atrito entre o Planalto e o Banco Central, fica a pergunta: o mercado vai manter a mesma calma diante de um choque de petróleo mais prolongado, ou a estabilidade de hoje é só o retrato de uma sexta-feira sem o fato mais recente?