O Ministério da Saúde vai passar a oferecer pelo SUS três medicamentos de alto custo contra o câncer de pulmão a partir de outubro: brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe. A oferta deve beneficiar cerca de 1,9 mil pacientes inicialmente, com financiamento integral do governo federal.

Brigatinibe e gefitinibe são terapias-alvo orais que agem diretamente sobre alterações específicas das células cancerígenas. Podem ser tomadas em casa e causam menos efeitos adversos do que a quimioterapia convencional.

Já o durvalumabe estimula o sistema imunológico a combater o tumor. É indicado para pacientes com câncer de pulmão em estágio 3 que não podem passar por cirurgia.

Na rede privada, o conjunto dos três medicamentos pode custar até R$ 643 mil por ano por paciente. A entrega ao SUS será gradual, conforme as negociações de compra com os fornecedores.

A oferta faz parte da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), programa mais amplo do Ministério da Saúde que deve atender mais de 100 mil pessoas por ano, com orçamento de R$ 2,1 bilhões.

O que acontece agora

Os três remédios são parte de um pacote maior: em maio, Lula e o ministro Alexandre Padilha anunciaram em Barretos (SP) a incorporação de 23 medicamentos oncológicos, num investimento de R$ 2,2 bilhões que cobre 18 tipos de câncer.

Alguns desses remédios aguardavam havia mais de 12 anos para entrar no SUS. Dez seriam comprados direto pelo Ministério e distribuídos aos estados, e os demais entram por Apac ou acordo nacional. O pacote de maio incluiu financiamento para cirurgias oncológicas robóticas na rede pública.

A incorporação de remédios contra o câncer avança em outras frentes no país. Em agosto, a Anvisa autorizou ensaios de remédios biológicos da Pfizer, AstraZeneca e Roche.

Um estudo recente também mostrou que uma vacina de mRNA reduz em 49% o risco de volta do melanoma, outro tipo de câncer que ganhou avanço de tratamento neste ano.

Fora do câncer de pulmão, o país também acompanha avanços como a nova droga contra câncer de pâncreas aplaudida em congresso mundial de oncologia.