A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu de 81,9% para 82,5% do PIB em julho, segundo o Banco Central. Em valores absolutos, o estoque passou de R$ 10,809 trilhões para R$ 10,947 trilhões. É o maior patamar desde abril de 2021, alta de 0,6 ponto percentual em um único mês.
O avanço foi puxado quase inteiramente pelos juros. A apropriação de juros nominais sobre a dívida já existente respondeu por 0,8 ponto percentual da alta em julho, segundo o Banco Central.
Emissões líquidas de novos títulos somaram mais 0,2 ponto. O crescimento do PIB nominal foi o único fator que ajudou a segurar o indicador, com efeito negativo de 0,5 ponto.
O resultado fiscal do mês, isolado, foi positivo. O setor público consolidado fechou julho com superávit primário de R$ 1,4 bilhão, revertendo o déficit de R$ 66,6 bilhões do mesmo mês de 2025.
Mas mesmo com as contas primárias no azul, a conta de juros sozinha já é grande o bastante para empurrar a dívida para cima.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que desconta os ativos do governo do estoque bruto, foi de 68,5% para 69,1% do PIB, para R$ 9,165 trilhões.
Quase metade do estoque da dívida bruta está atrelada à Selic, hoje em 13,75% ao ano. É esse mecanismo que faz o custo da dívida pesar tanto no indicador, mês a mês.
A DBGG é o número que as agências de risco olham primeiro para definir a nota de crédito do Brasil. Dívida mais alta significa custo mais alto para tomar dinheiro emprestado lá fora, efeito que aparece no câmbio e nos juros que o governo paga depois.
O mercado já embutiu a alta nas suas contas. Segundo o Boletim Prisma Fiscal, pesquisa mensal com economistas, a expectativa para o fim de 2026 é de que a dívida bruta feche em 83% do PIB, mesma previsão de julho.
Assine o Resumo do dia e receba de segunda a sábado, no seu e-mail, as notícias que você não pode perder.
Sem spam — você pode cancelar quando quiser.
Para 2027, a projeção subiu de 86,50% para 86,77% do PIB. A mediana do déficit primário de 2026 também piorou, de R$ 58,077 bilhões para R$ 59,145 bilhões.
A equipe econômica do governo, no entanto, defende que o quadro já reflete melhora. O Orçamento de 2027 enviado ao Congresso prevê superávit de 0,1% do PIB, o primeiro resultado primário positivo do período recente.
O que puxa a conta de juros
Quase metade da dívida pública muda de preço junto com a Selic, o que a faz reagir rápido a qualquer decisão do Banco Central.
Uma análise anterior da dívida pública federal mostrou o mesmo mecanismo em julho. O Tesouro pagou mais do que emitiu em títulos naquele mês, mas os juros sobre o estoque já existente levaram o total para cima assim mesmo.
O que acontece agora
O Banco Central divulga o próximo boletim de dívida pública em outubro, com o dado de agosto.
Enquanto a Selic seguir em 13,75% ao ano, a conta de juros segue sendo o maior fator de pressão sobre o indicador, segundo o Banco Central. O Boletim Prisma Fiscal de setembro deve confirmar ou revisar a projeção de 83% do PIB para o fim do ano.



























