O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro publicou neste domingo (30) fotos da prisão nos Estados Unidos onde está detido desde janeiro, acompanhadas de uma carta a familiares e apoiadores. Nas imagens, ele aparece sorridente, com moletom cinza e fazendo sinal de vitória com as mãos.
As fotos foram registradas na tarde de 25 de agosto dentro do Metropolitan Detention Center, em Brooklyn, Nova York. A publicação saiu no Telegram e no Instagram do perfil oficial de Maduro, na carta que ele escreveu:
Quero que saibam que estamos firmes, com o coração cheio de amor de vocês.
Cília Flores, esposa de Maduro, também está detida. Ela será julgada ao lado dele.
A proposta de data para o julgamento dos dois é junho de 2027, no tribunal federal de Manhattan, sob o juiz Alvin Hellerstein. O cronograma ainda depende de aprovação judicial.
Maduro foi capturado em 3 de janeiro, em Caracas, numa operação militar dos Estados Unidos que teve como alvo diversos objetivos no território venezuelano. Ele e Cília Flores respondem por narcotráfico e posse ilegal de armas, acusações que ambos negam.
O custo político para Lula
A captura de Maduro colocou o governo brasileiro em posição sensível. Na ocasião, o presidente Lula classificou a operação americana como uma grave afronta à soberania venezuelana e chamou a intervenção de inaceitável.
O Brasil levou o caso ao Conselho de Segurança da ONU. O país também assinou nota conjunta com México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha defendendo que a crise venezuelana fosse resolvida por meios pacíficos, sem interferência externa.
Analistas ouvidos pela imprensa avaliam que o episódio pode voltar a pesar na disputa presidencial brasileira de 2026, justamente quando o acordo entre Washington e Caracas pelo petróleo venezuelano avança apesar da resistência do Planalto.
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O Itamaraty não voltou a se manifestar publicamente sobre o caso desde a nota de janeiro. A publicação das fotos é a primeira imagem de Maduro na prisão a circular amplamente, quase oito meses depois da captura.
O que acontece agora
A Venezuela segue em processo de transição desde a queda de Maduro. Governo e oposição venezuelanos mantêm diálogo apoiado pelos Estados Unidos, e o país também busca reaproximação com o FMI para reorganizar as contas públicas.
Para Maduro e Cília Flores, o próximo marco é a definição judicial da data do julgamento. Até lá, a defesa dos dois pode apresentar recursos contra as acusações.


























