A Anvisa aprovou nesta segunda-feira (31) o registro do Fruzaqla, medicamento indicado para adultos com câncer colorretal metastático que já passaram por outras linhas de quimioterapia. Em estudo clínico, o remédio elevou a sobrevida global mediana para 7,4 meses, contra 4,8 meses no grupo que recebeu placebo.

Segundo a Anvisa, o fruquintinibe, princípio ativo do medicamento, bloqueia os receptores VEGFR-1, VEGFR-2 e VEGFR-3, responsáveis por estimular a formação de vasos sanguíneos que alimentam o tumor. Ao bloqueá-los, o remédio dificulta o crescimento do câncer.

O registro vale para pacientes que já passaram por quimioterapia à base de fluoropirimidina, oxaliplatina e irinotecano, por terapia anti-VEGF e, quando indicado, terapia anti-EGFR. Não é primeira opção de tratamento. Ele entra depois que as alternativas anteriores já pararam de funcionar.

Por que a aprovação importa no Brasil

O câncer de cólon e reto é o terceiro tipo mais comum no país. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 53.810 novos casos por ano entre 2026 e 2028, com alta de quase 30% entre homens e cerca de 20% entre mulheres.

É para essa população que a nova opção de tratamento chega, não como cura, mas como um caminho a mais quando os remédios já usados param de funcionar.

O INCA associa o crescimento da doença à alimentação inadequada, ao sedentarismo, à obesidade e à falta de um programa nacional estruturado de rastreamento precoce.

O que muda para quem precisa do remédio

O registro da Anvisa autoriza a venda do Fruzaqla no Brasil, pela rede privada e por planos de saúde que decidirem incorporá-lo ao rol de cobertura. Ele não garante acesso pelo SUS.

Para chegar à rede pública, o medicamento precisa passar pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), processo que pode levar até 180 dias, prorrogáveis por mais 90. Não há, até a publicação desta matéria, pedido confirmado de avaliação pela Conitec.

É a segunda aprovação da Anvisa divulgada nesta segunda-feira. Mais cedo, a agência também liberou o Yluméc, segunda caneta de semaglutida da EMS.

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O Ministério da Saúde também anunciou três remédios contra câncer de pulmão pelo SUS a partir de outubro, em um anúncio separado desta aprovação.

O que acontece agora

O fruquintinibe já tinha aprovação da agência regulatória dos Estados Unidos e da Agência Europeia de Medicamentos antes de chegar ao Brasil. A Anvisa também autorizou, em agosto, ensaios de outros remédios biológicos oncológicos de grandes farmacêuticas.

Fabricante e distribuidor ainda não divulgaram data de chegada às farmácias nem o preço do tratamento no país.